Expressão cultural afro-brasileira Celebrado amanhã, Dia do Capoeirista reforça manifestação histórica que marca gerações no Brasil
FOTO: Celso Luiz/DGABC

Você sabia que a capoeira é muito mais do que uma sequência de movimentos? Ela é uma expressão cultural afro-brasileira que reúne muita história. A prática nasceu no Brasil, especificamente durante o século XVII, criada pelos povos escravizados, criando manifestação como forma de resistência e autodefesa. Para esconder os treinamentos dos proprietários das terras, os gestos da luta eram misturados com música e pareciam uma dança. Assim, uma tradição que atravessou gerações permaneceu viva e hoje é reconhecida como um dos maiores símbolos do País.
As rodas de capoeira acontecem ao som de instrumentos tradicionais. O principal deles é o berimbau, que marca o ritmo do jogo. Também fazem parte da melodia o atabaque, pandeiro, agogô e o reco-reco, além das palmas e dos cantos dos participantes que ecoam por todo o ambiente.
Toda essa tradição é celebrada no Dia do Capoeirista, comemorado no dia 3 de agosto no Estado de São Paulo. A data foi criada para homenagear mestres, professores e alunos que ajudam a preservar essa manifestação em todos os cantos, reconhecida oficialmente pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) como Patrimônio Cultural e Imaterial da Humanidade.
Na Academia de Capoeira Barra Vento, do Grupo Corrente, no bairro Jordanópolis, em São Bernardo, as crianças aprendem que a modalidade também ensina disciplina, amizade, confiança e respeito.
O jovem Brian Magdaleno Araújo, 11 anos, percebeu mudanças importantes desde o início dos treinos. “Antes eu brigava muito. Agora sou mais tranquilo, presto mais atenção nas lições e fico com minha mente mais livre”, afirmou.
O seu irmão mais novo, Pedro Magdaleno Araújo Firmino, 7, disse que a capoeira trouxe mais confiança para enfrentar situações difíceis do dia a dia. “Gosto porque aprendo algo novo todos os dias, como os movimentos. Também me sinto mais preparado para me defender quando alguém mexe comigo”, disse.
Pedro falou ainda sobre o ambiente que encontrou na academia e o que mais gosta no aprendizado. “As aulas são muito divertidas e fiz muitos amigos aqui. Meu movimento predileto é o Aú. É como se fosse uma estrelinha sem colocar as mãos no chão”, falou o pequeno, que já sabe fazer acrobacias, floreios e esquivas.
Já Melissa Nascimento Bazan, 9, afirma que os exercícios fizeram diferença até nos sentimentos. “A capoeira diminui minha ansiedade, me ajudou a perder o medo e me trouxe felicidade”, destaca. Ela ainda cita aquilo que mais gosta. “O meu movimento preferido é a roda, porque todo mundo joga, canta e toca os instrumentos. É muito legal participar”, finaliza.
Entre uma ginga, uma cantoria e o som do berimbau, a capoeira mostra que aprender pode ser divertido e que a cultura brasileira guarda histórias que merecem ser conhecidas.
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