Editorial Os números mostram que a sociedade paulista vem perdendo a luta contra misoginia, machismo e sexismo – tema que, aliás, ocupa o incipiente debate eleitoral em São Paulo. Há, todavia, boas iniciativas no sentido contrário que merecem destaque. É o caso de Santo André, que acaba de criar grupos reflexivos para homens envolvidos em violência doméstica. Por meio de encontros conduzidos por agentes capacitados, promovem-se responsabili-zação pelos atos, reflexão sobre comportamentos violentos, igualdade de gênero e a prevenção da reincidência. Prevista na Lei Maria da Penha, a proposta acrescenta uma frente à artilharia do exército que luta pelo respeito entre gêneros.
Santo André, é preciso reconhecer, já possui experiência nesta frente. Desde 2015, o município mantém o programa E agora, José, em parceria com o Tribunal de Justiça e a Secretaria de Estado da Administração Penitenciária, com aulas e oficinas para homens acusados de agredir mulheres. A nova parceria pode ampliar o bom trabalho, na medida em que passar a formar facilitadores e a organizar grupos de conscientização com indivíduos encaminhados pela Justiça. A eficácia dependerá, evidentemente, de acompanhamento dos resultados e estrutura para os encontros. Só assim a ideia produzirá efeitos preventivos capazes de deixar os lamentáveis episódios de violência contra as mulheres no passado.
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