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Uma greve política

12/08/2026 | 10:14
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 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O estado de greve aprovado pelos ferroviários da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) na Linha 10-Turquesa não pode ser dissociado do atual momento político. A decisão ocorre poucos dias depois de o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) encaminhar à Assembleia Legislativa projeto de lei que estabelece mecanismos para garantir a absorção de empregados das linhas concedidas à iniciativa privada. A proposta surgiu após a paralisação dos ramais 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade e alcança também a Linha 10, embora ainda não exista leilão definido para o trecho. Ao colocar o ramal no movimento, a categoria busca interferir na discussão legislativa e obter proteções adicionais.

Necessário realçar que não se discute aqui o direito de greve. Trabalhadores têm prerrogativa de recorrer ao expediente quando entendem ameaçados direitos ou condições de trabalho. O problema, neste caso, é identificar qual seria a causa imediata para a paralisação. O governo apresentou projeto que trata justamente da preservação dos empregos diante das concessões. Há questionamentos legítimos sobre salários, lotação e regras de realoca-ção, mas existe espaço para negociação antes que os trens deixem de circular. Transformar incertezas sobre eventual privatização em motivo para interromper serviço ainda administrado pela CPTM parece mais decisão política do que resposta a ameaça concreta.
 

O debate sobre concessões também é legítimo e deve considerar os efeitos para usuários e trabalhadores. Não cabe, porém, fazer da população do Grande ABC parte de disputa que pode ser resolvida institucionalmente. A Linha 10 atende a milhares de passageiros diariamente e qualquer paralisação repercute no trabalho, nos estudos e na economia. Aos ferroviários cabe cobrar aperfeiçoamentos no projeto. Ao governo, compete esclarecer as garantias previstas. E aos deputados, avaliar emendas apresentadas. Antes de cruzar os braços, a categoria deveria esgotar o diálogo. Do jeito que foi anunciada, a greve cheira a oportunismo político de quem quer atrapalhar a campanha pela reeleição do governador.

DGABC



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