Editorial O estado de greve aprovado pelos ferroviários da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) na Linha 10-Turquesa não pode ser dissociado do atual momento político. A decisão ocorre poucos dias depois de o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) encaminhar à Assembleia Legislativa projeto de lei que estabelece mecanismos para garantir a absorção de empregados das linhas concedidas à iniciativa privada. A proposta surgiu após a paralisação dos ramais 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade e alcança também a Linha 10, embora ainda não exista leilão definido para o trecho. Ao colocar o ramal no movimento, a categoria busca interferir na discussão legislativa e obter proteções adicionais.
O debate sobre concessões também é legítimo e deve considerar os efeitos para usuários e trabalhadores. Não cabe, porém, fazer da população do Grande ABC parte de disputa que pode ser resolvida institucionalmente. A Linha 10 atende a milhares de passageiros diariamente e qualquer paralisação repercute no trabalho, nos estudos e na economia. Aos ferroviários cabe cobrar aperfeiçoamentos no projeto. Ao governo, compete esclarecer as garantias previstas. E aos deputados, avaliar emendas apresentadas. Antes de cruzar os braços, a categoria deveria esgotar o diálogo. Do jeito que foi anunciada, a greve cheira a oportunismo político de quem quer atrapalhar a campanha pela reeleição do governador.
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