Editorial Parece haver consenso entre especialistas: proteger crianças eadolescentes dos riscos representados pelas redes sociais exige resposta além da simples proibição. Medidas adotadas por França, Austrália e Reino Unido, assim como projeto em análise no Congresso Nacional, reconhecem ameaças ligadas à exposiçãoprecoce. Contudo, fixar idade mínima não impede perfis falsos, migração para espaços menos fiscalizados ou acesso sem orientação. Cabe ao poder público estabelecer regras ecobrar mecanismos de segurança das plataformas. O ECA Digital indica bom caminho ao combinarresponsabilidade empresarial, vínculo com adulto responsável egarantia de direitos.
Relatos defamílias do Grande ABC, colhidos pela reportagem do Diário e publicados nesta edição, mostram como controle parental, imposição de limitese aposta no diálogo fazem com que se diminua o tempo de tela e se amplie o de estudo, esporte, convivência edescanso. Pais e responsáveis precisam conhecer os aplicativos, observar mudanças de comportamento, discutir conteúdos eexplicar por que determinados ambientes oferecem perigo. Essa mediação não deve resultar em invasão da privacidade, mas acompanhara autonomia conforme maturidade e idade. Escolas também têm papel fundamental ao orientar sobre leitura crítica, proteção de dados, identificação de golpes e denúncia de abusos.
Quando o assunto são redes sociais, a responsabilidade sobre seus limites é difusa. É dever das empresas digitais rever práticas que geram ansiedade, comparação, violência e discursos de ódio. Mecanismos de denúncia, moderação, contas adequadas a cada faixa etária e configurações restritivas devem integrar serviços destinados ao público jovem. A sociedade não pode transferir toda acarga às famílias, enquanto modelos de negócio lucram com engajamento e coleta de informações. Governo, plataformas, escolas, pais e responsáveis possuem obrigações complementares. Preservar as novas gerações requer leis, transparência, educação digital e, especialmente, muita atenção. De todos!
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