Editorial O salto dos registros na DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de São Bernardo, após o início do plantão contínuo, em 18 de maio, revela demanda antes represada. Em três meses, os atendimentos passaram de 442 para 753, alta de 70%. Quase metade das ocorrências, ou 363, chegou durante madrugadas, fins de semana e feriados, períodos até então descobertos. Houve 327 pedidos de medidas protetivas. É impossível dizer que esses números provam crescimento das agressões, mas eles certamente mostram quanto o acesso favorece a denúncia. Quando encontra acolhimento imediato, a vítima pode, além de relatar o crime, preservar provas e obter providências capazes de impedir o pior.
A expansão da rede de delegacias especializadas que funcionem 24 horas pelo Grande ABC não pode virar promessa sem prazo. Estado e prefeituras devem pactuar locais, equipes, verbas, prazos e metas. São Bernardo serve de prova: a ampliação do atendimento aumenta o acesso, expõe casos ocultos e agiliza pedidos de proteção. Santo André, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra convivem com risco semelhante – daí inexistir razão para tratamento desigual. DDM com portas abertas ininterruptamente em cada município significa reconhecimento de que violência não respeita escala de trabalho. Infelizmente, a covardia dos agressores não tem horário de expediente.
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