Editorial O Grande ABC ganhou 3,8 km² de ocupação entre 2019 e 2022, conforme levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). São 380 hectares, equivalentes a 535 campos de futebol, incorporados às cidades. O avanço da mancha urbana resulta das pressões sociais por moradia, saneamento, mobilidade e serviços. Quanto mais moradores chegam, mais se multiplicam as demandas por novos espaços em um território com área limitada, onde cada loteamento requer infraestrutura e produz efeitos deletérios caso não seja ordenado com responsabilidade. Crescer não significa apenas erguer edifícios ou regularizar bairros; exige planejamento capaz de preservar a qualidade de vida.
A preocupação aumenta porque a expansão ocorre em uma região cujos municípios são cortados por inúmeros cursos d’água e contam com importantes remanescentes da Mata Atlântica. É difícil ter a segurança de que o crescimento das cidades está respeitando <CW-30>as áreas de proteção ambientais. Nem mesmo as autoridades têm certeza de que todos os locais ocupados estão dentro das regras de drenagem, esgoto, arborização e impermeabilização impostas pela legislação. A promessa de desenvolvimento perde sentido se córregos forem canalizados e a vegetação ceder terreno ao concreto. Planos diretores devem sempre orientar a criação de corredores verdes e estimular espaços livres.
Cabe às prefeituras demonstrar que a ampliação dos núcleos populacionais respeita limites ecológicos. Departamentos públicos de fiscalização precisam acompanhar obras, coibir invasões, verificar contrapartidas, punir infrações e assegurar transparência nas aprovações. Aos ambientalistas compete observar o cenário, participar das revisões urbanísticas, cobrar estudos, comunicar danos e mobilizar moradores diante de ameaças. A atenção a projetos capazes de afetar rios e florestas deve ser constante. O Grande ABC necessita conciliar habitação, emprego e investimento com proteção da natureza. A vigilância fará diferença para que a expansão aconteça dentro da lei. Cidades devem crescer, não inchar.
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