Editorial O desaparecimento de uma pessoa não termina no registro do BO (Boletim de Ocorrência). Ele abre uma espera sem prazo, como demonstra a história de Eliane Trindade, que procura o filho Ailton desde 1999. Reportagem publicada ontem pelo <CF52>Diário</CF> revelou que o Grande ABC registrou 900 casos similares no primeiro semestre deste ano, um a cada cinco horas, e localizou 516. Restaram 384 famílias sem resposta. O crescimento dos casos em 31% em cinco anos e a presença de 200 crianças ou adolescentes entre as notificações impõem às autoridades das mais variadas esferas, da federal às municipais, uma reação coordenada, capaz de transformar recursos disponíveis em instrumentos de busca.
Todavia, a tecnologia, sozinha, não seja capaz de resolver o problema. É preciso agir em outras frentes. O Grande ABC, por exemplo, ainda não possui departamento policial voltado à investigação de desaparecidos, com investigadores, assistentes sociais e psicólogos. Região com quase 3 milhões de habitantes não pode prescindir deste equipamento, assim como um banco de DNA. Eis um assunto que deveria estar no debate da campanha eleitoral que está em curso. Na esfera administrativa, o Consórcio Intermunicipal poderia liderar o pacto pela melhoria dos processos de busca, hoje tão ínfimos. Quem espera a volta de alguém não pode ficar sem amparo do Estado. Eles merecem resposta!
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