Aniversário - São Bernardo Titulo Vandalismo

Quebra-quebra na Prefeitura de Diadema termina com 2 presos e guarda-civil ferido

Protesto teve como motivação ordem judicial para desocupação de imóvel invadido na Rua Oriente Monti; lideranças da UP participaram da confusão

27/08/2026 | 18:02
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Denis Maciel/DGABC
Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Invasão na sede do Paço de Diadema na tarde desta quinta-feira (27) terminou em quebra-quebra, com dois presos e um guarda-civil ferido. Protesto teve como motivação ordem judicial para desocupação de imóvel particular na Rua Oriente Monti tomado há quase um ano. Prefeitura considerou o ato como vandalismo. Lideranças do MLB (Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas), que estiveram à frente do protesto, contestaram a alegação da gestão do prefeito Taka Yamauchi (MDB) e afirmam que a movimentação era pacífica e buscava diálogo com algum representante do Executivo.

De acordo com a Secretaria de Segurança Cidadã, ao menos 120 pessoas participaram da confusão. Destas, aproximadamente 80 invadiram a sede do governo, provocando tumulto e dano ao patrimônio público. Ainda segundo a Pasta, 30 GCMs (Guardas-Civis Municipais) foram mobilizados para dispersar o grupo. O subcomandante da corporação ficou ferido no braço e mão direitos. Boletim de Ocorrência foi elaborado no 1º DP (Distrito Policial) de Diadema e dois homens foram presos. A prisão preventiva, segundo a Polícia Civil, seria requisitada.

Imagens obtidas pelo Diário mostram grande número de homens e mulheres, gritando palavras de ordem, ocupando corredores internos da sede do Executivo enquanto seguiam em direção ao gabinete do prefeito, que não estava na cidade (leia abaixo). Guardas e outros agentes municipais cercaram os manifestantes, momento em que houve empurra-empurra e foi feito uso de spray de pimenta.

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Filiados e apoiadores do partido de esquerda UP (Unidade Popular), entre os quais a candidata a governadora Vivian Mendes e sua vice, Cris Damásio, que também é coordenadora da chamada Ocupação Palestina Livre na região central, e o postulante ao Senado Márcio Alves, participaram da confusão.

Servidores da Prefeitura ouvidos pela reportagem, mas que pediram que seus nomes fossem preservados, contaram que duas pessoas chegaram à recepção solicitando autorização para usar o banheiro. Quando a porta principal foi aberta outros manifestantes correram e invadiram o local. Dentro da sede do Executivo exigiram uma audiência com o prefeito ou outro representante.

A ideia da conversa era tratar da ordem judicial emitida pela juíza Natalia Cristina Torres Antonio, da Vara da Fazenda Pública de Diadema, que determinou o cumprimento da desocupação do imóvel em virtude de riscos estruturais, elétricos e sanitários gravíssimos atestados pela Defesa Civil e pela Vigilância Sanitária. 

No despacho do dia 11 de agosto, a magistrada solicitou à Polícia Militar a elaboração de um plano de remoção e manteve a exigência de amparo social por parte da Prefeitura, condicionando a desocupação ao cadastramento dos moradores em programas habitacionais e ao fornecimento de benefícios como o aluguel social.

“Não tinha nenhum responsável para receber os manifestantes, que, insatisfeitos, arrombaram a entrada principal e foram até a porta do gabinete. Eles quebram vidraças, mesas e computadores. Inclusive, integrantes tentaram tirar o armamento do subcomandante (Nilton Antônio Dias Teixeira) da Guarda, uma pistola 9 mm. Para isso, jogaram o policial contra uma vidraça, que ficou ferido”, explicou o secretário de Segurança Cidadã, Paulo Pinheiro da Silva.

O subcomandante da GCM (Guarda Civil Municipal) afirmou que chegou logo após o início da confusão para reforçar com outros agentes a segurança do local, mas foi impedido pelos manifestantes de entrar na Prefeitura.

“Fizeram uma barreira de manifestantes. Usei gás de pimenta e um rapaz veio para cima da minha pessoa e tentou tirar minha arma. Ele e outros dois usaram a força física e me empurraram para cima de uma vidraça, quando me machuquei”, explicou Dias.

Em nota a Prefeitura atribuiu o ato de “invasão, vandalismo e violência” a “integrantes do MLB e apoiadores do UP” e que “o protesto contesta a ordem de desocupação de um imóvel localizado na Rua Oriente Monti. A medida não parte de uma decisão do Executivo municipal, mas sim de uma determinação do Poder Judiciário.”

O MLB afirmou que “os manifestantes estiveram o tempo todo no hall de entrada, em uma conversa de ambas as partes para selecionar os representantes para uma mesa de negociação. Durante a conversa, a GCM entrou já agredindo os presentes com cassetetes e spray de pimenta. A agressão resultou em um vidro quebrado pela própria GCM”.

A candidata ao governo paulista negou ter invadido o local, mas disse que foi “agredida pela GCM”. Todavia, até o fechamento desta edição, às 23h, não havia registrado Boletim de Ocorrência nem realizado exame de corpo de delito. 

A postulante à principal cadeira do Estado explicou a relação dela com a invasão. “É fruto de uma parceria entre o movimento e o partido.”

A Polícia Civil informou que foram detidos pelos crimes de dano ao patrimônio, invasão, lesão corporal, resistência à prisão, violação do próprio público e desobediência dois homens ligados ao MLB: Felipe Barbosa dos Santos e Felipe Henrique Silva Martins. De acordo com a autoridade policial, a prisão preventiva será solicitada. A dupla segue detida na carceragem do 3º DP.

Taka voava ao Ceará na hora da confusão

Enquanto ocorria o quebra-quebra na Prefeitura de Diadema, nesta quinta-feira (27), o prefeito Taka Yamauchi (MDB) pegava um voo para Fortaleza, Capital do Ceará. O chefe do Executivo receberá o título de cidadão de Pedra Branca, sem, segundo apurou a reportagem, ter qualquer vínculo com a localidade. A honraria, de autoria do vereador Francisco Vicente Cavalcante de Abreu Filho (Republicanos) será entregue nesta sexta-feira (28) em solenidade na Câmara da cidade nordestina. O líder de governo diademense Francisco Gonçalves Nogueira Júnior, o Juninho do Chicão (Progressistas), que teve os pais nascidos no município de 42.227 habitantes, também será agraciado pelo mesmo parlamentar.

Taka deixou Diadema rumo a aeroporto paulista por volta das 15h desta quinta-feira. A viagem do mandatário pegou parlamentares da base governista de surpresa, que evitaram falar sobre o assunto oficialmente. O tema, porém, tomou os corredores do Legislativo. Alguns vereadores disseram não acreditar na história e atribuíram o fato a notícia falsa.

A ex-vice-prefeita e vereadora Patty Ferreira (PT), ao ser questionada pelo Diário se sabia da movimentação que levou o prefeito para outro Estado, sem ao menos comunicar o Legislativo, disse se tratar de um desrespeito. Por regra, Taka só deve pedir licença para se afastar da cidade em prazo superior a 15 dias. 

“Entendo como um desrespeito com moradores e vereadores, haja vista a importância de ações que precisam ser efetivadas pela gestão, como a falta de ações para o Agosto Lilás, onde a Prefeitura deve fazer campanhas de conscientização e de prevenção e entregar os serviços que não estão a contento. Não sei qual a participação dele na cidade de Pedra Branca, (mas) me parece que está mais preocupado em receber esse título do que estar em Diadema”, disse Patty, que provocou o prefeito: “Deveria estar no gabinete para atender os manifestantes".

Em nota, a Prefeitura de Diadema confirmou a viagem. “A homenagem reconhece a trajetória de Taka Yamauchi e reforça os laços entre Pedra Branca e Diadema, cidade que tem forte presença nordestina e cuja história foi construída também pela contribuição de milhares de migrantes."

Reportagem atualizada às 23h59

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