Editorial A bárbara invasão da Prefeitura de Diadema, na quinta-feira (27), ultrapassou o limite da democracia. Protestar não autoriza arrombamentos, depredação de vidraças, mesas ou computadores, muito menos agressão a um guarda-civil municipal e tentativa de tomar-lhe a arma. Oitenta pessoas entraram no Paço enquanto o grupo cobrava diálogo sobre a retirada das famílias instaladas em imóvel da Rua Oriente Monti. Essa pauta merece assistência e negociação, conforme determinou a Justiça. Nada, porém, concede licença para impor demandas pela força. Quem transforma reivindicação em violência abandona o debate, afronta instituições e perde a razão que pretendia defender.
É preciso apurar com rigor as causas das cenas lamentáveis que foram vistas em Diadema. Cabe à Polícia Civil identificar cada participante responsável por dano, lesão, resistência, desobediência ou invasão, garantindo o direito de ampla defesa. Aos dois líderes do movimento, que chegaram a ser presos, devem ser aplicadas penas severas. Punição exemplar não significa vingança, mas resposta efetiva a quem substitui argumento por intimidação. A versão apresentada pelo MLB (Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas) e as acusações contra a Guarda Civil Municipal precisam de exame, porém nenhuma divergência justifica ocupação, depredação nem o ferimento do subcomandante da corporação.
Os invasores demonstraram não ter apreço pela democracia. Agiram sob lógica igual à dos selvagens que, em 8 de janeiro de 2023, invadiram Brasília e tentaram tomar o poder à força – hoje, acertadamente, estão todos presos. Mudam cor ideológica, causa e dimensão; permanece o método de constranger autoridades, ocupar repartições e converter pressão em violência. Não há salvo-conduto a quem ataca patrimônio e agentes públicos. Diadema deve mostrar aos vândalos que demanda social se enfrenta com política, decisão judicial se contesta por recurso e governo se cobra por vias legais. Responsabilizar os envolvidos pela baderna, além de defesa da ordem, servirá de advertência contra futuras investidas.
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