O Agosto Roxo termina hoje, mas a temática da violência contra a mulher deve ser prioridade em todos os meses do ano, principalmente em países com índices alarmantes e que só crescem, como o Brasil. A vulnerabilização pelo simples fato de ser mulher nos coloca diante de diversas questões físicas, emocionais, sexuais e sentimentais, das quais, infelizmente, algumas pessoas se aproveitam ao máximo. E quem diz que essa violência fica restrita apenas às mulheres que a sofrem está enganado.
Todo o entorno dela sofre junto: filhos que presenciam as situações e que enxergam as marcas visíveis e aquelas que ficam na alma, como medo, humilhações e o sentimento de inferiorização e culpa. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), a violência contra a mulher está associada a diversos fatores, como aumento de depressão, abuso de substâncias como álcool e drogas ilícitas, ansiedade e, em casos de violência sexual, gravidez indesejada e/ou infecções sexualmente transmissíveis.
Todas essas situações podem e devem ser tratadas e acompanhadas por profissionais de saúde para que a mulher vítima de violência possa, aos poucos, retomar sua vida e sua qualidade de vida. Mas também é necessário que esteja em segurança. Nem sempre a mulher que sofre violência consegue proteção contra seu agressor. Muitas vezes, por depender financeiramente dele, não ter apoio familiar e muito menos ter para onde ir, acaba ficando refém de uma situação que se transforma em um ciclo de agressões.
Muitas organizações não governamentais oferecem acolhimento e proteção em diversas cidades, ofertando moradia não apenas para a mulher, mas também para crianças, além de promover parcerias com empresas que oferecem vagas afirmativas para mulheres nessa situação.
Além disso, as UBSs (Unidades Básicas de Saúde) podem acompanhar não apenas a mulher que foi vítima de violência, mas também toda a família, que pode ter atendimento por médicos(as) de família e comunidade, que, mais do que tratar os sintomas físicos, também promovem uma abordagem integral da saúde mental e de todo contexto em que esta mulher se encontra.
Não posso deixar de mencionar o impacto em toda a sociedade das mulheres que perdem a vida pelo feminicídio. Apenas em 2025, tivemos mais de 1.500 vítimas desse crime que consiste no assassinato de mulheres por sua condição de gênero. Esse número é do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública de julho deste ano. Por isso, não basta um mês para falarmos sobre violência contra a mulher, sendo que, durante os 60 minutos em que escrevia este artigo, 26 mulheres sofreram algum tipo de agressão física, segundo dado do 16º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, de 2022.
E esse papel de proteção e acolhimento vai além da segurança pública e de leis mais rígidas. Está também em cada pessoa que presencia um ato de violência e não se torna cúmplice, mas testemunha, denuncia e ajuda a romper esse ciclo.
O Agosto Roxo termina, mas a luta contra a violência de gênero precisa continuar todos os dias. Que o compromisso com a proteção, o acolhimento e a vida das mulheres sejam permanentes, durante todo o ano.