Editorial Reeleito em 2024 para o seu segundo mandato como vereador em São Caetano, com 2.874 sufrágios, a quarta maior votação da cidade, o advogado Matheus Gianello (PL) apresentou na sexta-feira (28) ao presidente da Casa, Carlos Humberto Seraphim (PL), carta de renúncia. Pressionado por investigação interna que poderia resultar em sua cassação, o legislador optou pela manobra clássica de preservação dos direitos políticos, que poderiam ficar suspensos por oito anos caso fosse punido pelos pares. A confissão da malandragem veio do próprio parlamentar. Em entrevista ao Diário, alegou que a abdicação não representa o fim de sua carreira política: “Vêm novidade e uma grande surpresa por aí”.
A declaração de Gianello chega a ser um escárnio contra os eleitores de São Caetano – não apenas aos que lhe confiaram o voto, mas à totalidade que passou a representar ao ser empossado em janeiro de 2025. Como se alguém acusado de cometer tamanha barbaridade com o munícipe, pagando com dinheiro público o salário de uma assessora que passeava pela Itália, pudesse ficar isento, de uma hora para outra, de prestar contas à sociedade, por abrir mão de seu mandato. A “novidade” que o são-caetanense merece da parte do ex-legislador é que ele apresente as devidas explicações – imediatamente depois de restituir ao erário os valores destinados indevidamente à sua então funcionária.
Por enquanto, a estratégia de Gianello está dando certo. O espírito de corpo prevaleceu e, na última segunda-feira (31), a Câmara arquivou todos os atos da comissão processante que investigou as condutas do vereador. Sob o argumento de que, com a extinção do mandato, perdeu-se o objeto da investigação, o Legislativo coroou a atitude do parlamentar, que fica livre para, em breve, apresentar o que chamou de “um novo projeto para São Caetano”. Diante do corporativismo, caberá ao eleitor dar a devida resposta ao agora ex-legislador. Em momento oportuno, o são-caetanense será chamado a dizer se concorda ou não com a esperteza do liberal, que abriu mão dos anéis para preservar os dedos.
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