Avaliação SUV híbrido plug-in de 315 cv combina vasta tecnologia, conforto e espaço para desafiar Compass e rivais chineses, mas de aventureiro só tem o visual
FOTO: Vagner Aquino/DGABC

A compra do carro zero-km mudou bastante. Há pouco tempo, o consumidor brasileiro que entrava em uma loja atrás de um SUV médio encontrava, basicamente, marcas tradicionais como Jeep, Toyota, Volkswagen, Chevrolet e Ford, por exemplo. Hoje, no entanto, fabricantes chinesas vêm conquistando o mercado (e a preferência do consumidor, em muitos casos) e, sobretudo, ampliaram não apenas o portfólio de modelos, mas as prioridades de compra. Afinal, o cliente deixou de focar apenas em preço ou tamanho/espaço interno, afinal, a decisão passou a envolver eletrificação, tecnologia, desempenho e, principalmente, autonomia. E, entre essas boas opções está o Jetour T1.
O modelo, que desembarcou no mercado no começo deste ano, ainda não é dos mais vendidos do mercado. Porém, mesmo atrás de muito concorrente, a montadora já entendeu que é preciso capacidade de convencer o comprador de que uma marca recém-chegada pode, sim, entregar o mesmo que uma tradicional. Até porque, à época de seu desembarque em solo nacional, a fabricante deixou claro que quer liderar o mercado mundial de veículos híbridos off-road.
Como é o carro?
A primeira impressão é de que o T1 quer jogar um jogo conhecido. A carroceria quadrada, os para-lamas e coluna C largos, bem como a frente alta (com iluminação por LEDs) remetem aos SUVs que construíram fama justamente pela aparência aventureira - como o Jeep Renegade, por exemplo. Há elementos que lembram até modelos de marcas premium. Só que o T1 é maior do que parece. São 4,71 metros de comprimento e 2,80 metros de entre-eixos, medidas que ajudam a explicar o motivo de a cabine ser um dos melhores argumentos do carro.

Não é apenas um carro que parece grande, pois ele aproveita, efetivamente, o tamanho para oferecer espaço. O porta-malas leva 574 litros. E o espaço pode ser expandido para até 1.455 litros, com o banco traseiro rebatido.
Das portas para dentro
E é quando se abre as portas do T1 que a história começa a mudar. Se por fora tenta parecer um jipe, por dentro ele está muito mais próximo do que o consumidor espera de um SUV. O painel é limpo. Tem ótimo acabamento - com materiais sensíveis ao toque e costuras contrastantes -, quadro de instrumentos digital de 10,25", e a tela central de 15,6 polegadas (com Apple CarPlay e Android Auto sem fio) domina a cabine. Há espaço de sobra para quem viaja atrás, onde três adultos sentam-se confortavelmente.
Na versão topo de linha Premium (que esteve com o Diário durante uma semana) tem um pacote bem recheado de itens, como carregador de celular por indução, tampa do porta-malas com acionamento elétrico, sistema de som Sony, bancos com ajustes elétricos e memória, e teto solar panorâmico. Porém, a abertura e fechamento deste último não têm comando one touch. Poderia.
No mais, tem volante multifuncional (no mesmo formato da chave presencial), ar-condicionado com saídas traseiras, retrovisores externos com projeção do logo no chão, iluminação ambiente interna com cores selecionáveis e por aí vai. Para a segurança, o T1 oferece recursos para direção semiautônoma de nível 2. No pacote tem frenagem autônoma de emergência, controle de cruzeiro adaptativo, monitoramento de ponto cego, alerta de tráfego cruzado traseiro, assistente de permanência em faixa, farol alto automático e estacionamento com visão de chassi em 540 graus.

Conjunto mecânico e consumo
Há, porém, uma característica que pode fazer diferença na hora de escolher o T1: o conjunto híbrido plug-in. São 315 cv de potência combinada entre o motor 1.5 turbo a gasolina e o propulsor elétrico. São 52 mkgf de torque, no total. A bateria de 26,7 kWh permite rodar mais de 100 km sem acionar o motor a combustão, segundo os números do Inmetro. E o alcance geral é de 1.200 km - ou mais, dependendo do modo de condução e o ambiente pelo qual se trafega. Isso coloca o SUV em uma posição interessante para quem consegue recarregá-lo em casa e utiliza o carro principalmente na cidade.
Considerando o modo híbrido, o consumo combinado é de 13 km/l (12,2 km/l na estrada e 13,6 km/l na cidade), segundo os números do Inmetro. De acordo com os dados divulgados pela Jetour, no modo elétrico, o T1 faz o equivalente a 30,6 km/l de média.
Ao volante
Na prática, o sistema é mais convincente pelo modo como entrega força do que pelos números absolutos. O T1 não tem a resposta de um esportivo, evidentemente, mas acelera com facilidade e ganha velocidade de maneira progressiva. São 8,7 segundos de 0 a 100 km/h de acordo com a marca. No Compass Blackhawk, por exemplo, o tempo é de 6,3 segundos. Uma vantagem interessante é que - assim como outros adversários, como Omoda 7, BYD Song Plus e GWM Haval, por exemplo - o motor elétrico deixa as respostas ao acelerador mais imediatas nas situações comuns do trânsito, como ultrapassagens, por exemplo.
O comportamento em curvas, por outro lado, entrega a verdadeira natureza do T1. O SUV mostra boa estabilidade, mas a carroceria alta inclina um pouco quando provocada em mudanças rápidas de direção. Não chega a comprometer a condução, mas lembra que estamos diante de um veículo alto e feito para transportar a família. O conjunto de suspensões é bem confortável - ao estilo chinês de ser. E o conjunto multilink na traseira ajuda bastante, especialmente na capacidade de filtrar irregularidades. O isolamento acústico também merece destaque, mérito dos vidros laterais dianteiros laminados.
Não tem 4x4
Apesar da cara de aventureiro, o T1 não oferece tração 4x4. A força chega às rodas dianteiras e, embora existam modos de condução e recursos para enfrentar terrenos de baixa aderência, a proposta é apenas de um SUV urbano. Por outro lado, os ângulos de ataque e saída de 28 graus ajudam.
Por falar em uso urbano, aqui cabe um adendo. Para quem tem mania (ou necessidade) de andar acompanhando o GPS na tela central, se prepare, pois o acionamento da seta exibe uma das câmeras externas do carro. Algo extremamente irritante e que atrapalha (bastante) o uso do mapa. Possíveis soluções: excluir a funcionalidade (afinal, muita gente não usa) ou replicar o mapa no quadro de instrumentos.
Preço
Chegamos, então, ao preço. E é aqui que a estratégia da Jetour fica mais clara, afinal, o T1 parte de R$ 249.900 (Advance) e chega a R$ 264.900 (Premium). Nessa faixa, o consumidor pode olhar para todos os concorrentes supracitados e para outros mais que estão chegando ao mercado. A disputa, portanto, não é pequena. Por isso, o T1 precisa convencer não apenas pela ficha técnica, mas pela percepção de valor.
Contra a dupla Compass/Commander, o T1 tem a vantagem evidente da eletrificação e dos 315 cv, além de ser maior. A Jeep, porém, ainda guarda cartas importantes, como tradição, desempenho mais forte e tração 4x4. Já diante dos chineses, a briga fica mais equilibrada. O T1 não é o SUV mais rápido, nem o mais barato, tampouco o mais capaz em uso off-road, mas tem bom espaço, desempenho adequado, conforto de sobra, tecnologia e a possibilidade de fazer boa parte dos deslocamentos diários usando só eletricidade. Em resumo, uma combinação consistente para uma marca que ainda precisa construir reputação no Brasil.
FICHA TÉCNICA
Jetour T1 Premium
Motor: híbrido plug-in (1.5 turbo a gasolina + elétrico)
Motor: 2.0 turbo, gasolina + elétrico
Potência máxima combinada: 315 cv
Torque máximo combinado: 52 mkgf
Câmbio: 1-DHT; Tração 4x2 (dianteira)
Bateria: 26,7 kWh
Autonomia elétrica: 1.200 km (115 km em modo 100% elétrico)
Comprimento: 4,71 metros
Largura: 1,97 metros
Altura: 1,84 metros
Entre-eixos: 2,80 metros
Vão livre do solo: 19 centímetros
Peso (em ordem de marcha): 2.000 kg
Porta-malas: 574 litros
Aceleração 0-100 km/h: 8,7 segundos
Velocidade máxima: 180 km/h
Preço: R$ 264.900
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