Vila João Ramalho Caso aconteceu na Emeief Carolina Maria de Jesus; prefeitura determinou que as unidades públicas tenham um canal permanente e direto de diálogo com a GCM
FOTO: Divulgação: Sindserv

Matéria atualizada às 18h36
Bruna Ponce Louzada, 38 anos, professora da Emeief (Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental) Carolina Maria de Jesus, na Vila João Ramalho, em Santo André, foi agredida por uma mãe de aluno nesta quinta-feira (3).
De acordo com Bruna, o caso começou na quarta-feira (2), quando a mãe, que não teve o nome divulgado, procurou a escola para reclamar que o filho teria relatado ter sido chamado de “burro” pela professora durante uma prova, versão negada pela docente. Bruna informou ao Diário que não é professora da turma e estava atuando como substituta nesta semana.
A direção da unidade recebeu a mãe e registrou a conversa. Segundo a professora, ficou definido que a escola conversaria com a criança para verificar o que havia acontecido. A mãe também teria pedido que o filho não realizasse uma outra prova que aconteceu no dia da agressão, solicitação que foi atendida.
Na quinta-feira, quando Bruna chegou à escola, foi informada sobre o episódio. Segundo ela, as próprias crianças da turma disseram à direção que a professora não havia chamado o colega de “burro”. O aluno também teria apresentado outra versão quando conversou com a coordenadora, afirmando que não havia sido Bruna quem havia feito a suposta ofensa, mas sim, um outro aluno.
Ainda segundo a professora, a família foi acionada para buscar o menino após a realização da prova, mas não respondeu às ligações ou às mensagens enviadas pela escola. A mãe foi à unidade no fim do período para buscá-lo.
Bruna relata que estava na porta da sala, acompanhada por outra professora, fazendo a saída dos alunos quando a mulher chegou alterada e passou a ofendê-la.“ Eu tentei conversar com ela, falar para ela: ‘Mãe, não foi, não aconteceu nada’. Hoje ele já contou outras versões para outras pessoas diferentes”, relatou.
Segundo Bruna, ela tentou encaminhar a mãe para conversar com a direção, mas a mulher teria se recusado. Na sequência, a discussão evoluiu para agressão física dentro da sala de aula.
“Foi quando ela me xingou e veio para cima de mim dentro da sala de aula. Ela me empurrou na porta da sala, na frente das crianças. Nesse momento, as crianças ficaram bem nervosas, começaram a chorar, a gritar. Foi quando ela me deu uma cotovelada no queixo e no rosto, próximo do olho, na bochecha”, conta.
A professora disse que não reagiu à agressão e que sua principal preocupação naquele momento foi proteger e acalmar os alunos, que têm entre 7 e 8 anos.“Eu não tive reação para com ela. A minha preocupação foi somente acalmar as crianças e tentar minimizar aquela situação. Naquele momento, a minha preocupação eram os alunos. Eu não reagi, estava com a mão no bolso e permaneci com a mão no bolso”, contou.
Segundo Bruna, outra professora que estava no local interveio para afastar a mãe. A GCM (Guarda Civil Municipal) foi acionada. A docente também informou que uma lesão no rosto foi constatada em exame realizado no IML (Instituto Médico Legal).

FOTO: Arquivo pessoal
Em vídeo divulgado na noite de quinta-feira, o secretário de Educação, Pedrinho Botaro, afirmou que a Prefeitura não irá tolerar agressões contra funcionários da rede municipal.
Botaro disse que a administração municipal dará apoio à professora, à equipe gestora e aos demais funcionários da escola. Segundo ele, a Prefeitura também abrirá um processo administrativo para investigar o episódio.
O secretário informou ainda que a GCM estará na unidade nesta sexta-feira (4) para reforçar a segurança e que a administração acompanhará as medidas adotadas no local.
Sindserv cobra medidas de segurança
O Sindserv (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Santo André) também se manifestou sobre o episódio e realizou, nesta sexta-feira (4), um ato com professores e profissionais da Emeief Carolina Maria de Jesus para cobrar mais segurança e proteção aos trabalhadores da Educação. A mobilização contou com a presença da professora agredida e participação de profissionais de outras unidades escolares. "A união é de extrema importância para dar voz e visibilidade para que ocorrências como está não aconteçam mais", disse Bruna.
Segundo o sindicato, a entidade reivindica a retomada da Ronda Escolar, com GCM preparados para atuar nas escolas; a criação de um protocolo efetivo para casos de violência; atendimento imediato aos servidores vítimas de agressões; ações permanentes de prevenção; e um Projeto de Lei de proteção aos servidores públicos de Santo André contra a violência física e psicológica.
“Não podemos aceitar que professores e profissionais da Educação trabalhem com medo e sob ameaças. A Prefeitura precisa adotar medidas concretas e urgentes para garantir segurança, proteção e respeito a quem trabalha nas nossas escolas”, declarou a diretora do Sindserv Santo André, professora Daisy Dias.
“Não vamos aceitar que nossos servidores sejam vítimas de agressões enquanto estão trabalhando para atender a população. Enfermeiros, professores e todos os profissionais que atuam nos serviços públicos precisam ter segurança e respeito para exercer suas funções. Diante dos casos recentes, determinei que as unidades públicas tenham um canal permanente e direto de diálogo com a GCM, para que qualquer situação de risco possa ser comunicada e enfrentada com rapidez. Também vamos ampliar as rondas nos locais públicos com maior circulação de pessoas, com uma atuação preventiva e próxima da comunidade. Nossa prioridade é garantir um ambiente seguro para quem trabalha e para quem utiliza os serviços públicos de Santo André”, comunicou o prefeito de Santo André, Gilvan Ferreira (Cidadania).
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