Estudo São Bernardo registra queda de 47,8% nas ocorrências, enquanto Santo André aparece na lista de municípios com mais casos no Estado
FOTO: Banco de dados/DGABC

Os roubos e furtos de caminhões e outros veículos pesados recuaram 22,9% no Estado entre janeiro e maio de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. Mesmo com a redução, São Bernardo e Santo André aparecem entre os dez municípios com maior número de ocorrências. Enquanto a primeira teve forte queda nos registros, a segunda passou a integrar o ranking neste ano.
Os dados são do Boletim Tracker Fecap, estudo que acompanha há dez anos a criminalidade envolvendo veículos pesados e, nesta edição, analisou ocorrências registradas entre 2024 e maio de 2026. No Estado, foram 733 casos nos cinco primeiros meses deste ano, ante 951 em 2025. Os roubos caíram 34,7% - de 614 para 401 -, enquanto os furtos tiveram retração de apenas 1,5%, de 337 para 332.
O levantamento aponta, porém, uma mudança recente no comportamento dos crimes. Os furtos cresceram 8,1% em abril e 39,2% em maio. Para Erivaldo Vieira, pesquisador da Fecap (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado) e responsável pelo estudo, a diferença entre as modalidades merece atenção. "O recuo está concentrado nos roubos, enquanto os furtos permanecem praticamente no mesmo patamar e voltaram a crescer nos dois últimos meses analisados", afirma.
No Grande ABC
Na região, São Bernardo registrou 12 ocorrências entre janeiro e maio, contra 23 no mesmo período de 2025, redução de 47,8%. O município, que era o segundo colocado no ranking estadual no ano passado, caiu para a sétima posição. Já Santo André teve dez registros e entrou no top ten, passando a ocupar o décimo lugar. A cidade, cabe pontuar, não apareceu no ranking no levantamento de 2025.
Ranking dos 10 municípios com mais ocorrências de roubo e furto de veículos pesados:

A capital paulista continua como principal ponto de concentração, com 213 ocorrências, alta de 8,1%. Em sentido contrário, Guarulhos caiu 42,5%, de 80 para 46 casos. Segundo o estudo, a distribuição das ocorrências mostra que o risco não está restrito aos grandes centros e pode mudar conforme as rotas de circulação e as condições operacionais.
Entre os veículos mais atingidos, os caminhões lideraram, com 362 ocorrências em 2026, seguidos pelos caminhões-tratores, com 159. Juntas, essas duas categorias responderam por 521 casos, ou cerca de 71% dos registros. Os semirreboques tiveram a maior retração percentual, de 138 para 35 ocorrências, enquanto os reboques foram na contramão e subiram de 53 para 63 casos.
Ocorrências por tipo de veículo (janeiro a maio):

O levantamento também mostra que o risco permanece concentrado nos dias úteis: 73,3% das ocorrências ocorreram de terça a sexta-feira. No recorte por horário, noite e madrugada somaram 60,2% dos registros. Para Vitor Corrêa, gerente de Comando e Monitoramento do Grupo Tracker, a mudança no perfil dos crimes exige proteção durante toda a operação. "Nossa recomendação é que empresas, transportadoras, seguradoras e gestores de risco passem a avaliar a proteção dos veículos de forma integrada", pontua.
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