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Infidelidade partidária

07/09/2026 | 08:17
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DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Em um País com 30 agremiações registradas oficialmente no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e outras 19 em formação – incluindo um tal de Resgate dos Valores Fundamentais da Nação Brasileira, seja lá o que isso queira dizer –, é natural que a infidelidade partidária seja uma característica dos políticos brasileiros. Reportagem publicada hoje pelo Diário, por exemplo, mostra que mais da metade, 55%, dos 126 candidatos do Grande ABC que pretendem disponibilizar o nome nas urnas no pleito de 4 de outubro já disputaram eleições anteriores filiados a siglas diferentes das quais estão hoje. Alguns comungam atualmente ideologias que execravam no passado, o que impõe cautela aos eleitores.

É evidente que existem razões nobres que podem justificar plenamente a mudança. Desalinhamento ideológico, descumprimento do programa partidário, alteração legítima de convicção, falta de democracia interna, perseguição ou discriminação, incompatibilidade com alianças e problemas éticos são algumas delas. Mas a intensidade do movimento da dança das cadeiras na política nacional, e regional, particularmente parece evidenciar apenas mero oportunismo eleitoral. O escrutínio cuidadoso mostra que a maior parcela das trocas se deu apenas em tentativas de obter mais recursos, visibilidade, tempo de propaganda ou melhores condições para disputar o pleito.

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Afinal, como fundamentar nos argumentos plausíveis oito trocas de partido ao longo da carreira política, como é o caso de uma das candidatas com domicílio eleitoral no Grande ABC? Análise mais amiúde dos casos resulta na conclusão de que a busca por vantagens pessoais impulsiona o troca-troca. São decisões motivadas somente por oferta de cargos, apoio governamental, controle de diretórios ou acesso a fundos de financiamento, que, diga-se, não são motivos eticamente defensáveis. É exatamente por isso que o eleitor deve pesquisar a fundo a trajetória do político que pretende sufragar. É preciso punir, de modo severo, quem, sem justificativa, pula de partido como muda de roupa.




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