Economia Titulo Boletim Focus

Mercado financeiro reduz previsão da inflação para 5% este ano

Instituições financeiras elevam projeção do PIB para 1,93% e estimam Selic em 13,75% ao fim de 2026

08/09/2026 | 11:45
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FOTO: Marcello Casal Jr / Agência Brasil
FOTO: Marcello Casal Jr / Agência Brasil Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A previsão do mercado financeiro para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), referência oficial da inflação no País, passou de 5,01% para 5% neste ano. A estimativa consta no Boletim Focus desta terça-feira (8), pesquisa divulgada semanalmente pelo BC (Banco Central) que reúne as expectativas de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.

A previsão permanece acima do teto da meta de inflação perseguida pelo BC. Estabelecida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual. Assim, o limite inferior é de 1,5% e o superior, de 4,5%.

Em julho, os alimentos ficaram mais baratos e contribuíram para que a inflação oficial perdesse força pelo quarto mês seguido e fechasse em 0,07%, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O resultado fez o IPCA acumular alta de 4,44% em 12 meses, levando o indicador de volta ao intervalo de tolerância da meta de inflação.

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A inflação de agosto será divulgada na próxima sexta-feira (11) pelo IBGE.

Para 2027, a projeção da inflação passou de 4,28% para 4,29%. Para 2028 e 2029, as estimativas são de 3,8% e 3,5%, respectivamente.

Taxa Selic

Para alcançar a meta de inflação, o BC usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14% ao ano. A taxa é definida pelo Copom (Comitê de Política Monetária) do BC. Na última reunião, em agosto, o colegiado reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual pela quarta vez seguida.

De junho de 2025 a março deste ano, a Selic ficou em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. O Copom voltou a cortar os juros na reunião de março, em um cenário de queda da inflação. No entanto, a guerra no Oriente Médio, que se refletiu no aumento dos preços dos combustíveis e dos alimentos, dificulta novas reduções da taxa.

O próximo encontro do Copom para definir a Selic será nos dias 15 e 16 de setembro.

Nesta edição do Focus, a estimativa dos analistas de mercado é de que a taxa básica chegue a 13,75% ao ano até o fim de 2026. Para 2027 e 2028, a previsão é de redução da Selic para 12% ao ano e 10,5% ao ano, respectivamente. Em 2029, a taxa deve ficar em 10% ao ano.

Quando o Copom aumenta a Selic, o objetivo é conter a demanda aquecida e, consequentemente, a pressão sobre os preços, já que os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Taxas mais elevadas também podem dificultar a expansão da economia.

Os bancos consideram ainda outros fatores para definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

Quando a taxa Selic é reduzida, a tendência é de que o crédito fique mais barato, estimulando a produção e o consumo. Com isso, diminui o efeito de contenção sobre a inflação e aumenta o estímulo à atividade econômica.

PIB e câmbio

Nesta edição do Focus, a estimativa das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira neste ano passou de 1,92% para 1,93%. Para 2027, a projeção para o PIB (Produto Interno Bruto, soma dos bens e serviços produzidos no País) permanece em 1,5%. Para 2028 e 2029, o mercado financeiro estima expansão de 1,96% e 2%, respectivamente.

No segundo trimestre de 2026, a economia do País cresceu 0,5% na comparação com o primeiro trimestre. No acumulado de 12 meses, houve expansão de 1,9%, de acordo com o IBGE.

Em 2025, a economia brasileira cresceu 2,3%, com expansão em todos os setores e destaque para a agropecuária. O resultado representa o quinto ano seguido de crescimento.

No Focus desta semana, a previsão para a cotação do dólar está em R$ 5,20 no fim deste ano. Para o fim de 2027, a estimativa é de R$ 5,30.

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