Nacional Titulo PISA 2025

Brasil estaciona em notas de educação no Pisa, mas reduz distância de países ricos, em queda

País mantém desempenho praticamente estável em uma década, mas reduz a distância para a média da OCDE na comparação de 20 anos

08/09/2026 | 11:58
Compartilhar notícia
FOTO: Rafa Neddermeyer / Agência Brasil
FOTO: Rafa Neddermeyer / Agência Brasil Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Em uma década marcada pela pandemia de covid-19 e por uma crise econômica, a educação brasileira ficou estagnada nos resultados do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), principal avaliação internacional de aprendizagem, conduzida pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Por outro lado, em uma análise de 20 anos, o balanço mostra que o Brasil incluiu mais crianças na escola, avançou nos resultados e reduziu a distância em relação às nações ricas, que enfrentam uma inédita crise de aprendizagem.

O País foi citado pelo diretor de Educação da OCDE, Andreas Schleicher, como exemplo positivo da avaliação ao longo de duas décadas. O MEC (Ministério da Educação) afirma que o Brasil mostrou resiliência após a pandemia (leia mais abaixo).

DGABC

Os dados do Pisa foram divulgados nesta terça-feira (8) e trazem o desempenho de 91 países ou regiões em ciências, matemática e leitura. Nesta edição, o teste também avaliou a resolução de problemas por meio de ferramentas computacionais. O Pisa é aplicado pela OCDE a estudantes de 15 anos. No Brasil, foram avaliados 30.140 alunos de 1.053 escolas.

Para a OCDE, o recuo global no desempenho expõe a perda de concentração e atenção dos jovens, além da diminuição do hábito da leitura, em um mundo cada vez mais transformado pelo excesso de telas e pela inteligência artificial. A organização afirma que o hábito de “percorrer rapidamente feeds das redes sociais e processar informações em alta velocidade” pode ter contribuído “para a piora da capacidade e da motivação dos estudantes para lidar com textos e dados complexos”.

O País foi classificado com baixo desempenho em três das quatro áreas avaliadas. Apenas em leitura ficou abaixo da média, patamar melhor, mas ainda inferior ao das nações da OCDE.

O Pisa destaca, porém, que o Brasil foi o único a ampliar significativamente a participação no exame e manter o desempenho estatisticamente estável desde 2015. Em outros países, houve queda em algumas áreas no mesmo período. Apenas três países que ampliaram a cobertura do Pisa registraram alta em alguma das três áreas: Camboja, República Dominicana e El Salvador.

A aprendizagem dos adolescentes de 15 anos no mundo caiu a níveis inéditos, especialmente nos países ricos.

Os resultados indicam que 20% dos estudantes de 15 anos das nações mais ricas têm baixo desempenho em leitura, matemática e ciências. Em 2022, eram 16%. Leitura registrou a maior queda no exame, com recuo em três quartos dos sistemas educacionais do mundo entre 2018 e 2025.

O resultado preocupa porque a leitura é necessária para o desempenho nas demais áreas. Nações como Dinamarca, Noruega, Espanha e Suécia recuaram mais de 20 pontos, o equivalente a um ano de aprendizagem. Todos os países mais bem colocados registraram queda em leitura, com exceção do Reino Unido, que manteve a mesma nota.

A escala do Pisa não tem pontuação máxima nem mínima. A referência é uma média de cerca de 500 pontos, com desvio-padrão de 100.

O melhor desempenho do Brasil na comparação com os outros países analisados pelo Pisa foi justamente em leitura. O País ocupa o 52º lugar no ranking, atrás de vizinhos como Chile (37º) e Uruguai (42º).

Nesta área, os jovens brasileiros registraram 408 pontos na edição de 2025, dois pontos a menos do que em 2022, quando alcançaram 410. A nota praticamente empata com a média obtida há 10 anos, quando os alunos registraram 407 pontos. Apesar da oscilação, o resultado é considerado estatisticamente estável pela OCDE.

Cerca de 49% dos alunos brasileiros alcançaram, no mínimo, o nível 2 de proficiência em leitura. Na OCDE, o percentual nesse patamar é de 69%. Esses alunos conseguem compreender e interagir com textos simples do cotidiano, localizar dados específicos e conectar diferentes informações para construir um significado coerente. Também são capazes de avaliar a credibilidade de um texto e começar a distinguir fatos de opiniões.

Em ciências, o Brasil aparece em 67º lugar. Foi a área em que o País mais avançou na última década, com alta de 8 pontos. Ainda assim, está atrás de vizinhos como Uruguai (42º), Chile (43º) e Colômbia (63º).

No Pisa 2025, os brasileiros registraram 409 pontos, ante 401 em 2015. A nota também subiu na comparação com a edição de 2022, quando foi de 403 pontos.

Quase metade dos estudantes brasileiros (48%) alcançou ao menos o nível 2 de proficiência em ciências. Isso significa que conseguem, no mínimo, reconhecer a explicação correta para fenômenos científicos familiares e, a partir disso, verificar se uma conclusão é válida com base nas informações fornecidas.

Os estudantes ainda não são capazes, no entanto, de utilizar conhecimentos de forma mais elaborada, avaliar evidências ou embasar decisões.

Na resolução de problemas por meio de ferramentas computacionais, o Brasil ocupa o 69º lugar, com 406 pontos, atrás de Chile (43º), Peru (58º), Colômbia (60º) e Equador (66º). É a primeira vez que o Pisa avalia essa competência.

Os brasileiros, em média, interagem de forma superficial com ferramentas digitais, segundo a avaliação. Conseguem fazer pequenas modificações em programas simples apenas para observar o que acontece. Em tarefas práticas do teste, são capazes, por exemplo, de fazer com que uma garra robótica mova um objeto.

Matemática tem pior desempenho

Matemática é a área de pior desempenho do Brasil, seguindo uma tendência global. O País ocupa o 71º lugar. Em 2025, foram 377 pontos no Pisa, mesma pontuação obtida há 10 anos e dois pontos abaixo da nota de 2022. O Brasil está 86 pontos abaixo da média da OCDE, de 463 pontos.

Dados da avaliação mostram ainda que apenas 28% dos alunos atingiram o nível 2 de proficiência no Pisa. Na OCDE, o percentual é de 65%, o que evidencia a distância do Brasil.

Alcançar o nível 2 de proficiência significa interpretar matematicamente uma situação simples, sem instruções diretas. O aluno consegue, por exemplo, comparar a distância entre duas rotas ou converter preços para outra moeda.

Estudantes abaixo desse nível enfrentam dificuldades em tarefas básicas do dia a dia, como identificar a relação entre unidades e preços ao fazer compras ou interpretar uma conta de luz.

Quase nenhum estudante brasileiro obteve alto desempenho nos testes de matemática do Pisa, atingindo os níveis 5 ou 6.

A disparidade entre os países em matemática vem sendo retratada ao longo das edições do Pisa. Segundo a OCDE, estudantes de Áustria, Escócia (Reino Unido) e Singapura apresentaram, ao longo de um ano, progresso aproximadamente duas vezes maior do que o de um jovem brasileiro.

“Um ano de escolaridade não é uma unidade fixa. Ele não proporciona o mesmo nível de aprendizagem em todos os lugares”, diz o relatório.

Em análise divulgada à imprensa, o MEC destacou os resultados e a resiliência do sistema educacional, sobretudo após a crise provocada pela covid-19.

“O Brasil mostrou maior estabilidade e recuperação após a pandemia do que a média da OCDE. Entre 2018 e 2025, recuperou e superou o desempenho pré-pandemia em Ciências e registrou perdas menores que a média da OCDE em Leitura e Matemática”, diz.

Brasil reduz distância para países ricos

Ao longo de 20 anos, o retrato do Brasil é mais positivo. O País é mencionado no relatório como um dos exemplos de promoção de equidade e avanço no desempenho.

Durante cerca de duas décadas, o Brasil reduziu significativamente a distância em relação aos países mais ricos, que também registraram recuo nos resultados ao longo do período.

“A Alemanha transformou o alerta provocado pelo choque do Pisa de 2001 em um amplo programa de reformas. O Brasil mostrou que maior equidade e maior qualidade podem avançar juntas, ampliando dramaticamente as oportunidades educacionais ao mesmo tempo em que melhorava seus resultados no Pisa”, afirma o diretor de Educação e Competências da OCDE, Andreas Schleicher, no prefácio do relatório.

O melhor cenário é em leitura. Em 2006, os estudantes brasileiros obtiveram 102 pontos a menos do que os colegas da OCDE. Em 2025, a distância caiu para 58 pontos.

Em ciências, os brasileiros registravam 113 pontos a menos do que a média da OCDE em 2006. Em 2025, a diferença caiu para 77 pontos.

Em matemática, área mais crítica, os brasileiros tinham 131 pontos a menos do que os jovens da OCDE em 2006. Em 2025, a diferença caiu para 86 pontos.




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;