Uma em cada dez crianças de até 5 anos está com peso inadequado no Grande ABC. É o que diz reportagem publicada nesta edição do Diário com dados do Sisvan (Vigilância Alimentar e Nutricional), do governo federal. Na primeira infância, tanto a obesidade quanto a desnutrição comprometem o indivíduo. O acúmulo de gordura eleva riscos de diabetes, hipertensão, apneia e alterações no fígado, além de sobrecarregar ossos ou articulações. Já a carência de nutrientes pode causar anemia, fraqueza, perda muscular, atraso no crescimento e redução das defesas contra infecções. Ambas as condições comprometem todas as demais fases da vida e precisam ser combatidas.

Com o passar dos anos, podem surgir sequelas de peso inadequado na primeira infância. Crianças com excesso apresentam probabilidade de manter a obesidade, situação que aumenta casos de infarto, derrame, resistência à insulina, doenças nos rins e tipos de câncer. Já quem sofreu desnutrição pode ter baixa estatura, menor massa óssea, dificuldades cognitivas e metabolismo mais propenso ao acúmulo de gordura. Além das questões físicas, não se pode esquecer dos impactos psíquicos do problema. Estigma, ansiedade, depressão ou isolamento podem prejudicar estudo, trabalho e relações. Portanto, prevenir desequilíbrios desde cedo reduz sofrimento, tratamentos e despesas.
O poder público pode enfrentar o problema com ações entre saúde, educação e assistência social. Equipes de saúde devem acompanhar peso, altura e evolução da criança, investigar ganhos e perdas, orientar responsáveis, oferecer consulta com nutricionista ou encaminhar tratamento. Responsáveis por creches devem estar atentos a refeições baseadas em alimentos in natura, adaptar cardápios às necessidades dos alunos e restringir consumo de refrigerantes e ultraprocessados. Prefeituras têm nas mãos as ferramentas para combater a insegurança alimentar na primeira infância. Todavia, precisam ir além do discurso e tomar as medidas necessárias para garantir um futuro melhor para milhões de crianças.