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Fim da 6x1: é preciso responsabilidade

Dirceu Cardoso Gonçalves
08/09/2026 | 13:55
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A proposta que acaba com a escala 6x1 e reduz a jornada semanal sem diminuição dos salários precisa ser examinada pelo Congresso Nacional com cuidado, responsabilidade e independência. Melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores é um objetivo legítimo, mas uma mudança dessa dimensão não pode ser aprovada sem uma avaliação profunda de seus efeitos sobre o emprego, os custos das empresas e a economia brasileira.

A diminuição da jornada representa, na prática, aumento do valor da hora trabalhada. Empresas que funcionam todos os dias poderão precisar contratar mais empregados, reorganizar turnos ou pagar horas extras. Para grandes companhias, a adaptação talvez seja possível. Para pequenos negócios, entretanto, o aumento das despesas poderá comprometer a continuidade das atividades.
 
Entre as possíveis consequências estão redução de vagas, ampliação da automação, adoção de contratos por hora e repasse dos custos aos preços de produtos e serviços. Por isso, benefícios esperados para os trabalhadores precisam ser analisados juntamente com os riscos de desemprego, informalidade e perda do poder de compra.
 

Também não parece adequado impor uma regra inteiramente uniforme a setores tão diferentes. Indústria, comércio, hospitais, transportes, segurança, turismo e serviços possuem necessidades próprias. A legislação deve estabelecer garantias gerais, mas permitir negociações responsáveis e jornadas compatíveis com cada atividade.

Outro ponto preocupante é a tentativa de acelerar a votação em período eleitoral. O apoio do governo à proposta pode transformá-la em bandeira de campanha, especialmente diante da pretensão de reeleição do presidente Lula. Uma matéria tão relevante não deve ser decidida sob pressão política ou com o objetivo de conquistar votos.

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Deputados e senadores devem ouvir trabalhadores, empresários, sindicatos, especialistas e representantes dos diferentes setores. Também é indispensável estabelecer uma transição gradual, regras especiais para pequenos negócios e mecanismos de acompanhamento dos impactos sobre empregos, preços e produtividade. 

A redução da jornada pode representar um avanço social, desde que construída com equilíbrio. O Congresso precisa buscar uma solução que melhore a vida dos trabalhadores sem provocar fechamento de empresas, eliminação de postos de trabalho ou aumento generalizado dos preços. Neste momento, o País precisa de responsabilidade e bom senso – não de decisões apressadas movidas por interesses puramente eleitorais.

Dirceu Cardoso Gonçalves é dirigente da Aspomil (Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo).




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