No Jardim São Savério Otávio Henrique Cezario, 32 anos, afirma que foi confundido com outra pessoa e recebeu golpes dos agentes, além de ofensas racistas
FOTO: Reprodução

O ajudante de bomba de concreto, Otávio Henrique Cezario, 32 anos, morador de Diadema, afirma ter sido agredido durante uma abordagem da Polícia Militar na madrugada de domingo (6), na Rua Memorial de Aires, no Jardim São Savério, na Zona Sul da Capital. Segundo ele, os policiais teriam utilizado armas de choque, chutes e outros golpes durante a contenção e também proferido ofensas racistas. De acordo com Cezario, os agentes o teriam confundido com um suspeito.
Em um dos vídeos que registra a ocorrência é possível ouvir o homem gritando: "eu vou morrer, eu vou morrer. Socorro". Em entrevista ao Diário, o ajudante contou que acreditou inicialmente que se tratava de uma abordagem policial comum. Segundo ele, depois de receber a ordem para parar, obedeceu, mas foi agredido.
"Eu simplesmente achei que era uma abordagem, chegaram me batendo, me dando choque, me espancando, na verdade." Ele disse não ter recebido explicações sobre o motivo da abordagem. Ainda segundo ele, ao perguntar aos policiais teria recebido como resposta apenas que "ele descobriria posteriormente".
O ajudante afirma que estava no bar de um amigo antes de seguir para casa e nega ter passado por outros estabelecimentos ou se envolvido em qualquer briga. Ele também contesta a versão de que teria resistido à abordagem.
A versão apresentada pelo homem, porém, é diferente da registrada pelos policiais no boletim de ocorrência. De acordo com o documento, a equipe foi acionada pelo Copom (Centro de Operações da Polícia Militar) para atender uma denúncia de um homem armado em via pública que teria ameaçado uma mulher em um bar. Após receber características do suspeito, os policiais afirmam que localizaram Cezario nas proximidades e deram ordem para que ele colocasse as mãos na cabeça para ser revistado.
Segundo os agentes, o homem não teria obedecido à ordem e teria apresentado comportamento agressivo e resistência à abordagem. O registro afirma ainda que foram necessários seis policiais militares para contê-lo e algemá-lo.
O documento também registra que Cezario foi encaminhado à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Ipiranga para atendimento médico.
Segundo o homem, ele parou quando os policiais mandaram e levantou as mãos. "Ele (policial) chegou, me pegou pela gola da camisa, me derrubou no chão, com o joelho na minha cara."
Ainda de acordo com o ajudante, durante a ação, os policiais repetiam que ele estaria reagindo.
Denúncia de ofensas racistas
Ao Diário, o homem também relatou ter ouvido ofensas racistas durante a abordagem. Segundo ele, os policiais teriam utilizado a palavra "macaco" diversas vezes. O ajudante acredita que foi confundido com outra pessoa. Segundo ele, em nenhum momento os policiais lhe deram uma explicação sobre o motivo de estar sendo procurado.
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