Durante a sessão Denunciado por quebra de decoro e conduta incompatível com a dignidade do cargo, vereador pode perder o mandato
FOTO: Celso Luiz/DGABC

A Câmara de São Caetano instaurou neste terça-feira (8), após seis horas de sessão, comissão processante contra o vereador Getúlio de Carvalho Filho, o Getulinho (União Brasil). Foram 19 votos favoráveis à abertura e dois contrários. A partir de agora, Cicinho Moreira (PL), Welbe Macedo (PSB) e Bruno Vassari (PSB), que compõem o grupo de trabalho, respectivamente, como presidente, membro e relator, terão 90 dias para apresentar o relatório com as possíveis infrações político-administrativas. Caso as denúncias sejam admitidas após análise em plenário, daqui a três meses, o parlamentar poderá perder o mandato e ficar com os direitos políticos suspensos por até oito anos.
Getulinho, que está no primeiro mandato, foi denunciado pelo seu ex-assessor Wilson Russo Piotto – que atuou como chefe de gabinete entre julho e outubro de 2025 e é advogado – e pelo servidor municipal Geová Ferreira de Oliveira Braz. A dupla sustenta que o unionista violou o decoro e teve conduta incompatível com a dignidade do cargo.
No documento, protocolado no dia 4, os denunciantes embasam as teses sob os argumentos de que o parlamentar cometeu abuso de prerrogativa, violação de direitos fundamentais de pacientes internados em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e inobservância de protocolos de biossegurança, colocando em risco a saúde pública.
Antes da leitura integral do dossiê, com 70 páginas, Getulinho foi substituído – apenas nesta sessão – pelo segundo suplente do partido, Ubiratan Figueiredo, que não se reelegeu em 2024, mas acumula em sua trajetória política quatro mandatos. Todas as denúncias, teses que as embasam, jurisprudências e processos anexos ao pedido de abertura de comissão processante, com pedido de cassação, foram verbalizados em plenário.
Antes da fase regimental de votação pela admissibilidade da comissão processante, Getulinho, em sua primeira fala na tribuna, chamou os vereadores de urubus. “A cassação é um pouco óbvia, porque a gente sente, inclusive quando morre um bicho no meio do mato, se vê urubus que voam em cima. Daqui a 90 dias eu não vou estar mais aqui, especialmente pelos urubus que sobrevoam a carniça”, declarou o vereador.
No dossiê apresentado à Câmara são citados dois processos nos quais Getulinho foi condenado em primeira instância. Um cita o crime de difamação e injúria contra a funcionária pública municipal Patrícia Carolina Casadei Arroio, com sentença datada de 7 de outubro de 2025, pela 1ª Vara Criminal da comarca são-caetanense.
Na outra ação, de autoria de Geová Ferreira, um dos autores das denúncias, Getulinho foi condenado pela 1ª Vara Criminal e da Infância e Juventude de São Caetano pelos crimes de calúnia, injúria e difamação. Extraíram-se também desse processo alguns trechos para sustentar as denúncias sobre as condutas do vereador, que, no dia 1º de janeiro de 2026, entrou na UTI do Hospital de Emergências Municipal Albert Sabin sem a devida paramentação, expondo os pacientes internados a risco.
Antes de abrir a votação para a admissibilidade da comissão, Getulinho teve dez minutos, prorrogados por mais dois, para se manifestar. O unionista tentou desqualificar as denúncias.
“Pergunto: o que concretamente justificaria a cassação? Houve corrupção? Houve improbidade administrativa relacionada ao meu mandato? Houve condenação criminal definitiva?”, indagou Getulinho que mais cedo disse ir “até as últimas consequências” para se manter no mandato.
Piotto, disse que as falas do vereador não passam de estratégia para mudar o foco. “Como todo acusado e condenado em primeira instância (a declaração) é uma tentativa de criminalizar a vítima. Ele sabe o que fez”, pontuou.
Ubiratan Figueiredo, que votou pela admissibilidade da comissão, evitou polêmicas. “Se no final do processo houver a cassação, vou cumprir o papel institucional”, declarou.
Os membros da comissão processante afirmaram que vão usar o tempo que “for necessário”, dentro dos 90 dias, para concluir as investigações, analisando provas e garantindo direito à defesa.
Essa é a segunda comissão processante instaurada na Câmara de São Caetano em menos de seis meses. A primeira, iniciada no dia 26 de maio, investigou condutas de Matheus Gianello (PL), que renunciou ao mandato no dia 28 de agosto, poucos dias antes da sessão que poderia validar as irregularidades, para assim evitar a suspensão dos direitos políticos.
Reportagem atualiazada às 23h55
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