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É tempo de confraternizar

Rodolfo de Souza
18/12/2025 | 09:17
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FOTO: DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


É tempo de confraternizar.

É tempo de esquecer agruras e desentendimentos.

É tempo de correr para o abraço, mesmo que não se viva o supremo momento do gol.

É tempo de olhar para o outro como a um igual, mesmo, se em algum momento, o egoísmo nos tenha turvado a vista e impedido a passagem da luz.

É tempo de amor, este que vivemos agora. Aliás, um meio para se fazer aflorar esse sentimento é fingir que a violência acabou, ou antes, não pensar nela, mesmo que alguém insista em nos lembrar, a todo instante, de sua buliçosa presença.

É tempo de imaginar um mundo sem ódio, embora o entorno nos esfregue na cara um céu impregnado dele.

É tempo de paz para aquele que não necessita vasculhar a montanha de escombros que o ataque aéreo caprichosamente construiu, para buscar os seus mortos ou, quem sabe, um sopro de vida.

É tempo, afinal, de renovarmos as esperanças para o próximo ano, assim como temos feito por décadas. Mesmo porque, o anseio de uma vida melhor, que imaginamos morto a cada desalento, ressurge pleno nesta época. É o poder que tem a passagem de ano. Mágico poder de renovação que a alegria, a boa comida e uma bebidinha proporcionam. Não fosse ele estaríamos, há muito, sepultados. 

Justamente porque, o alimento que nos mantém em pé é sempre complementado pela esperança de se viver uma vida melhor, nem que seja lá adiante, a perder de vista.

É tempo de esquecermos que nossa pequena casa redonda vê seu meio ambiente ruir a cada dia, que vive uma alteração climática que, a continuar como está, dará cabo

de toda a gente que nela reside. Pobres e ricos perecerão, e com eles a esperança, cuja sobrevivência depende do bom senso, artigo cada vez mais em falta no mercado da vida.

Cobrir-se de religiosidade e colaborar para a destruição do mundo, por exemplo, me parece um tanto sinistro. Celebrar o nascimento de Jesus e atentar contra o próximo também há de soar estranho aos meus olhos, embora a agressão barata tenha caído numa normalidade assustadora como tudo o que é nefasto tende a cair ultimamente.

Mas independente do clima de perigo constante que paira sobre o mundo, vivemos de novo um momento de festa. Logicamente que boa parcela da população daqui e de acolá nada tem a festejar, e isso causa mais inquietação na mente perturbada de sempre. É preciso, pois, fechar os olhos para tudo isso e remar um pouco nas águas da hipocrisia se quisermos conquistar aquele sentimento de renovação no sublime momento do champanhe e da lentilha.

É tempo de Papai Noel vestindo roupa pesada debaixo de um calor dos infernos.

É tempo do Jingle Bells e sua afinidade nenhuma com a batucada do nosso imenso rincão.

É tempo de celebrar a festa, afinal, ela é protagonista nessa época de abraços e desejo mútuo de felicidade. É tempo de se preparar, porque tudo isso vem e passa, para

recomeçar logo ali, no ano vindouro.

É tempo de pensar que o trem da história nunca para




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