Mais gestão, menos polarização
Fernandes

O Natal é, antes de tudo, um tempo simbólico. Um marco no calendário que convida à pausa, à reflexão e ao reencontro com valores que, ao longo do ano, muitas vezes ficam soterrados pela pressa, pelo conflito e pelo excesso de ruído. Em um mundo marcado por tensões crescentes, polarizações profundas e debates cada vez mais agressivos, o espírito do Natal nos provoca a olhar para além das diferenças e a resgatar aquilo que nos une como sociedade.
Ao longo de todo este ano, temos insistido em uma ideia simples, mas poderosa: mais gestão e menos polarização. Essa expressão não nasce da negação do debate político, tampouco do apagamento das divergências que são naturais e até saudáveis em uma democracia. Ela nasce da constatação de que o excesso de confronto, de ódio e de disputas estéreis tem afastado a política de sua finalidade maior: melhorar, de forma concreta, a vida das pessoas.
Falar em mais gestão é falar em enfrentar os problemas reais do dia a dia. É falar de serviços públicos que funcionem, de cidades mais humanas, de políticas públicas baseadas em planejamento, evidências e responsabilidade. É compreender que o cidadão comum não acorda preocupado com rótulos ideológicos, mas com o transporte que não chega, a fila da saúde, a escola dos filhos, a segurança da sua rua e as oportunidades de trabalho. Gestão é, portanto, um exercício permanente de escuta, de técnica e de compromisso com resultados.
Por outro lado, falar em menos polarização é reconhecer que o clima constante de antagonismo corrói a confiança social, fragiliza as instituições e dificulta a construção de soluções coletivas. A polarização excessiva transforma o adversário em inimigo, substitui o diálogo pelo ataque e empobrece o debate público. Quando isso acontece, todos perdem: a política perde qualidade, a democracia perde densidade e a sociedade perde coesão.
É justamente nesse ponto que o espírito do Natal se torna tão atual e necessário. O Natal nos lembra valores universais como empatia, solidariedade, fraternidade e diálogo. Valores que não pertencem a um campo ideológico específico, mas à própria condição humana. O gesto de acolher, de ouvir o outro, de buscar pontes em vez de muros, carrega uma força transformadora que ultrapassa o âmbito pessoal e alcança o espaço público.
Quando transportamos esse espírito para a política, estamos falando de uma prática mais madura e responsável. Uma política capaz de reconhecer diferenças sem transformá-las em ódio; de discordar sem desumanizar; de competir sem destruir. Uma política que entende que governar é, sobretudo, cuidar de pessoas; e que isso exige serenidade, diálogo e senso de propósito.
Neste momento em que o Natal se aproxima, o convite que se impõe é o da reflexão. Que possamos aproveitar este tempo simbólico para desacelerar, rever posturas e repensar prioridades. Que o espírito do Natal nos inspire a construir uma sociedade menos agressiva, mais justa e mais solidária. E que ele também nos lembre que, na política, assim como na vida, o caminho do diálogo, da boa gestão e do compromisso com o bem comum é sempre o caminho mais difícil – e, justamente por isso, o mais necessário.
Que o Natal renove em todos nós a esperança de que é possível fazer diferente. Com mais gestão. Com menos polarização. Com mais humanidade. Um feliz Natal a todos!
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.