Mais gestão, menos polarização O encerramento de um ano é sempre um convite à reflexão. Mais do que listar acontecimentos ou revisitar polêmicas, trata-se de avaliar escolhas, discursos e prioridades. Ao longo deste ano, defendi aqui de forma consistente uma ideia simples, mas absolutamente necessária: o Brasil precisa de mais gestão e menos polarização. Não se trata de um slogan vazio, mas de um chamado à maturidade institucional, política e social.
Infelizmente, ainda desperdiçamos tempo, energia e atenção com debates rasos, simbólicos e, muitas vezes, irrelevantes. Discutimos a cor da camisa da Seleção Brasileira como se isso definisse valores nacionais. E na última semana gastamos horas debatendo o uso ou não de sandálias Havaianas, como se esse detalhe fosse um indicador de caráter, competência ou compromisso com o País. Esses temas podem até gerar engajamento momentâneo nas redes sociais, mas não resolvem absolutamente nada da vida real.
Enquanto isso, os problemas concretos seguem exigindo respostas urgentes. A segurança pública continua sendo uma das maiores angústias da população, com famílias reféns do medo, da violência e da sensação de impunidade.
A saúde pública enfrenta desafios estruturais profundos, desde a atenção básica até a alta complexidade, pressionada por falta de planejamento, gestão ineficiente e dificuldades de financiamento. A qualidade de vida nas cidades com mobilidade urbana, moradia, meio ambiente, emprego e renda exige políticas públicas sérias, baseadas em dados, metas claras e avaliação permanente de resultados.
Quando insistimos em debates superficiais, o País perde tempo, oportunidades e credibilidade. Não podemos iniciar 2026 como um ‘país pé de chinelo’ no sentido simbólico da expressão: despreocupado com planejamento, tolerante com improvisos e conformado com a mediocridade do debate público. O Brasil é grande demais, complexo demais e desigual demais para se dar ao luxo de discutir irrelevâncias enquanto problemas reais se acumulam.
Isso não significa negar a existência da polarização. Ela é inerente às democracias e, em certa medida, até saudável. O problema não é divergir, mas empobrecer o conflito. A polarização precisa ocorrer no campo das ideias, dos projetos e das propostas, e não na caricatura, no ataque pessoal ou na redução da política a símbolos vazios. Divergir com profundidade é sinal de maturidade democrática; brigar por futilidades é sinal de esgotamento.
Elevar o nível do debate em 2026 significa discutir políticas públicas com seriedade, comparar modelos, avaliar resultados e aprender com erros e acertos. Significa cobrar eficiência do Estado, responsabilidade fiscal, transparência e foco em resultados. Significa, sobretudo, recolocar o cidadão no centro da discussão, e não as bolhas ideológicas ou as guerras culturais artificiais.
Ao fecharmos este ano, fica o desejo, e o compromisso, de que o próximo seja marcado por mais diálogo qualificado, mais gestão baseada em evidências e menos polarização estéril. Que 2026 seja um ano de menos símbolos e mais soluções. Menos barulho, mais conteúdo. Menos raso, mais profundo.
Feliz 2026. Com mais gestão. E menos polarização.
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