Vice-prefeita de Rio Grande
FOTO: André Henriques | DGABC

A vice-prefeita de Rio Grande da Serra, Vilma Marcelino Silva (PSDB), tem uma trajetória de mais de 20 anos dedicados ao trabalho social. Sua história de compromisso com a comunidade começa na infância, influenciada por seus pais, que eram agentes comunitários, e se estende à sua atuação em diversas áreas, como educação, assistência social e direitos humanos.
Ao fazer um balanço de seu primeiro ano de gestão, Vilma destaca o grande potencial turístico da cidade, rico em aspectos religiosos, ecológicos e culturais, mas que ainda não é totalmente explorado. Ela enfatiza os esforços da Prefeitura para conquistar o título de MIT (Município de Interesse Turístico) do Estado.
A gestora também reflete sobre a importância de uma maior representatividade racial e de gênero na política e compartilha suas metas para o futuro da cidade.
A senhora tem uma trajetória construída ao longo dos anos na vida pública e comunitária. Poderia compartilhar quais foram os principais momentos desse percurso, e como ele a conduziu ao cargo de vice-prefeita de Rio Grande da Serra?
Desde a minha infância estive envolvida em ações sociais. Meus pais foram agentes comunitários em nosso bairro e, vinculados à Igreja Católica, realizaram por muitos anos ações voltadas às pessoas em situação de vulnerabilidade social, como a oferta de almoço diário, doação de cestas básicas e vestimentas, além de aconselhamentos e encaminhamentos para a melhoria das condições de vida das famílias. Cursei o antigo magistério e, aos 17 anos, iniciei minha carreira como professora de crianças com deficiência. Isso me levou à busca por formação nas áreas de Psicologia e Pedagogia, com especialização em Educação Especial. Em 2021, ingressei no setor público como secretária de Assistência Social, tendo a oportunidade de desenvolver políticas públicas efetivas voltadas às pessoas em situação de vulnerabilidade social. Esse trabalho contribuiu para que eu fosse reconhecida como uma liderança política, o que me conduziu à disputa eleitoral como vice-prefeita, a convite do atual prefeito Akira Auriani (PSB).
De que forma esses conhecimentos (formação em Pedagogia e Psicologia) contribuem para a tomada de decisões, o cuidado com as pessoas e a formulação de políticas públicas no Executivo municipal?
Minha formação contribui diretamente para a tomada de decisões, para o acolhimento da população e dos servidores públicos, valorizando a escuta qualificada e o cuidado humanizado, além de auxiliar na mediação de conflitos. No processo de reorganização do município, tenho liderado grupos de trabalho voltados à estruturação de políticas públicas, entre eles o Plano de Enfrentamento à Violência contra a Mulher.
Desde janeiro de 2025, a senhora integra a atual gestão municipal. Qual é o balanço deste primeiro ano de trabalho e quais avanços considera mais significativos?
O ano de 2025 foi marcado por muitos desafios, exigindo a reorganização de diversos processos internos. Entre minhas atribuições, atuei como apoio estratégico, na articulação política e na supervisão de projetos específicos, com foco, principalmente, nas áreas sociais e de desenvolvimento comunitário. Liderei a reorganização dos conselhos municipais, bem como a implantação de novos, como o Conselho de Direitos da Mulher. Também articulei programas como o Prefeitura Até Você, levando serviços diretamente à população nos bairros, entre outras ações relevantes.
Quais são hoje as principais atribuições da vice-prefeita na estrutura administrativa do município?
Além da substituição do prefeito em situações específicas, tenho atuado de forma transversal na imple-mentação de políticas públicas que envolvem mais de uma secretaria. Coordeno a articulação de grupos de trabalho para a elaboração de planos ligados aos direitos humanos, como o Plano de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, o programa de atendimento às pessoas com deficiência e autismo, o Plano de Enfrentamento ao Racismo e a adesão ao Pacto Cidade Antirracista, entre outros. Também lidero o programa Prefeitura Até Você, que já contou com cinco edições, além de realizar o acolhimento das demandas da comunidade e dos servidores públicos municipais.
Como mulher negra ocupando um dos cargos mais importantes da cidade, qual é o significado da representatividade?
Sinto-me honrada e, ao mesmo tempo, profundamente responsável por representar uma comunidade que enfrenta tantas barreiras ao longo da vida. Minha presença no cargo tem um impacto simbólico e prático na representatividade política de gênero e raça. É possível chegar, porque eu cheguei. Estar aqui significa aproveitar a oportunidade, dar o meu melhor e deixar um legado, abrindo portas para que outros também cheguem, entrem e permaneçam. Nesse sentido, tenho me empenhado na construção de políticas públicas efetivas, como a articulação para a elaboração do Plano Municipal de Enfrentamento ao Racismo e a adesão de Rio Grande da Serra ao Pacto pela Igualdade Racial, iniciativa do Governo Federal que compromete o município com políticas de combate ao racismo e promoção da equidade racial.
Como avalia a baixa presença de pessoas negras nos cargos de prefeito e vice-prefeito no Grande ABC?
Esse cenário revela um problema estrutural que vai além do processo eleitoral. A baixa presença de pessoas negras nesses cargos reflete desigualdades de oportunidades, visibilidade política, financiamento de campanhas e acesso aos espaços de decisão dentro dos próprios partidos. Não se trata de falta de capacidade ou de lideranças negras qualificadas, elas existem e atuam intensamente nos territórios, mas de barreiras que dificultam a chegada desses nomes ao topo das chapas. É necessário atuar em várias frentes, com apoio efetivo dos partidos, fortalecimento da educação política desde a juventude e cobrança por representatividade por parte da sociedade civil e da imprensa. Mais diversidade racial fortalece a democracia e torna as políticas públicas mais eficazes e inclusivas.
Quais ações a Prefeitura vem promovendo para fortalecer a rede de proteção às mulheres?
Foi criado no município o Programa Mulher Riograndense, uma política pública permanente voltada à atenção integral às mulheres, reunindo ações de saúde, prevenção, bem-estar, informação sobre direitos e enfrentamento à violência.Também foi instituído o Plano Municipal de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, alinhado à legislação federal, com a criação de uma Rede Municipal Integrada. As ações incluem atendimento humanizado, capacitação de profissionais, campanhas de conscientização e canais de denúncia e apoio, como o Ligue 180 e a página do programa Mulher Riograndense.
Qual é o papel do poder público municipal no enfrentamento da violência de gênero?
O poder público municipal exerce um papel essencial, pois está mais próximo da população. O trabalho intersetorial, integrando saúde, assistência social, educação, segurança e outros setores, garante um atendimento mais humanizado, contínuo e eficaz, evitando a revitimização e assegurando os direitos das vítimas.
Por que é fundamental ampliar a presença feminina na política?
A presença feminina é fundamental para garantir representatividade, justiça social e decisões mais equilibradas. Mulheres em cargos de poder ampliam perspectivas, fortalecem políticas sociais, promovem gestões mais colaborativas e inspiram novas gerações, contribuindo para uma democracia mais inclusiva.
Qual a importância do reconhecimento de Rio Grande da Serra como MIT (Município de Interesse Turístico)?
Costumo dizer que o turismo é a ‘cereja do bolo’ de Rio Grande da Serra. Temos um enorme potencial ainda pouco explorado, com patrimônios históricos como a Capela de 1611, a estação ferroviária de 1867 e a Pedreira, considerada a maior em extensão da América Latina. Estamos próximos da Capital, com fácil acesso, e possuímos grande potencial para o turismo religioso, ecológico e cultural. O reconhecimento como MIT representa uma grande oportunidade de desenvolvimento, especialmente por estarmos localizados em uma área 100% de manancial, o que limita a instalação de indústrias.
Quais são as principais metas da gestão para 2026?
As metas incluem manter o equilíbrio orçamentário, fortalecer a gestão financeira, garantir a qualidade dos serviços essenciais, incentivar a geração de empregos, promover a capacitação profissional, desenvolver projetos sustentáveis, fortalecer o turismo e buscar parcerias com os governos estadual e federal, sempre com planejamento participativo e transparência.
Como manter o equilíbrio fiscal sem comprometer os serviços essenciais?
Com responsabilidade, prudência e critério na aplicação dos recursos, buscando gastar bem, mesmo com orçamento limitado, e ampliando a captação de recursos junto aos governos estadual e federal.
Que cidade a senhora deseja ajudar a construir para as próximas gerações?
Desejo ajudar a construir uma cidade mais inclusiva, sustentável e inovadora, onde cada riograndense tenha acesso à educação de qualidade, saúde eficiente e oportunidades de crescimento pessoal e profissional. Uma cidade que valorize a cultura local, o meio ambiente e a participação cidadã, garantindo dignidade, segurança e orgulho às futuras gerações.
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