Sabores & Saberes
FOTO: Seri/DGABC

Os comportamentos de consumo seguem tendências, sejam elas ditadas pelos componentes midiáticos, ou por fatos.
De um lado, influencers podem estimular multidões a comprar itens que fariam pouca ou nenhuma diferença funcional na vida desses compradores, enquanto boas agências de propaganda podem induzir escolhas de marcas para artigos essenciais.
Na outra face, existem consumos deflagrados por novas ocorrências, como vemos com a indústria de ar-condicionado, escalonando vendas como nunca visto antes, dado o galopante aquecimento global, e, com o mesmo olhar, é possível enxergar as menores taxas de natalidade arrefecendo nichos de negócios relacionados ao mundo de gestantes e recém-nascidos.
Mas, nada assusta tantos setores mercadológicos de uma só vez como faz a crescente onda de emagrecimento oferecida pelos novos fármacos para este fim, que os afetará progressivamente e brutalmente, na proporção em que o acesso a estes medicamentos seja democratizado.
As indústrias farmacêuticas, de insumos, de materiais e equipamentos hospitalares aguardam movimentos declinantes, especialmente no que tange às complicações cardiovasculares oriundas do diabetes tipo 2, principal mazela decorrente da obesidade, sem que esqueçamos os problemas ortopédicos, oncológicos, psicológicos e psiquiátricos, afora tantos outros que declinarão vertiginosamente ao longo dos anos.
Em outubro de 2023, o Walmart, a maior rede norte-americana de varejo, divulgou uma breve avaliação, mas de resultado contundente, comparando o perfil da cesta de clientes que também compravam Semaglutida (Ozempic, Wegovy) em suas drogarias, com aqueles sem esse tratamento.
A empresa passou a tabular estes padrões, que despertaram e despertam a atenção dos envolvidos no ramo varejista, em todas as linhas produtivas, com uma sensível mudança qualitativa e quantitativa no hábito de compra.
Empresas aéreas se preocupam com suas cartas de alimentação, seja no que importa economizar, seja no que tem importância agradar, assim como redes de fast food estudam alternativas alimentares com pouco ou nenhum processamento.
Faz pouco tempo que me encontrei com um grande amigo, proprietário de dois restaurantes de alto padrão na Capital paulista, e, em um bate-papo ligeiro, no qual observávamos a herança pós-pandemia, com muitos pedidos entregues em residências por empresas especializadas, restaram outros apontamentos.
Percebe-se um número cada vez maior de solicitações de pratos menos generosos, assim como menor consumo de álcool durante as refeições, dados colhidos com clientes comumente alinhados a pratos fartos e a um bom número de taças de vinhos. Estes, quando interrogados sobre a mudança, não demoram a confessar: a nova conduta decorre do uso de Mounjaro ou afins.
É um admirável mundo novo e magro que se aproxima e, aceitando que será entregue a todos, trará mudanças cabais nos comportamentos humanos. E a economia que se ajeite!
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