Mais gestão, menos polarização
Seri

O ano de 2026 ocupa um lugar estratégico na trajetória política e institucional do Brasil. Trata-se de um período em que o País tem a oportunidade de definir, por meio do voto, os rumos de sua política nacional e subnacional, escolhendo presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais. Mais do que um simples calendário eleitoral, 2026 representa um momento decisivo para a qualificação das escolhas democráticas e para a consolidação de uma cidadania mais consciente, informada e participativa.
A relevância desse ano está diretamente relacionada ao impacto que essas decisões terão no futuro das políticas públicas, na capacidade do Estado de responder aos problemas concretos da sociedade e na qualidade da gestão pública. Em um País marcado por profundas desigualdades sociais, desafios estruturais na segurança pública, na saúde, na educação e na mobilidade urbana, a escolha de representantes não pode ser orientada apenas por discursos fáceis, slogans vazios ou polarizações estéreis. É fundamental que o eleitorado valorize propostas consistentes, trajetórias comprometidas com resultados e visões de longo prazo para o desenvolvimento nacional.
Nesse contexto, qualificar as escolhas significa exercer o voto de maneira responsável, com base em informações confiáveis, análise crítica e compreensão do papel institucional de cada cargo. As ferramentas de pesquisa hoje disponíveis, quais sejam, dados públicos, plataformas digitais, relatórios de desempenho legislativo, histórico de votações e de gestão; ampliam significativamente a capacidade do cidadão de avaliar seus representantes. Nunca foi tão possível exercer a cidadania de forma plena, transformando o voto em um instrumento efetivo de cobrança, controle e orientação das políticas públicas.
As redes sociais, frequentemente associadas à desinformação e ao conflito, também podem, e devem, ser utilizadas em seu sentido mais virtuoso. Quando empregadas como instrumentos de transparência, diálogo e acesso à informação, elas fortalecem a representatividade política, aproximam eleitos e eleitores e ampliam a participação social no debate público. O desafio de 2026 é justamente transformar esse ambiente digital em um espaço de qualificação do debate, substituindo o ruído pela argumentação e a polarização pela construção de soluções.
No plano regional, especialmente no Grande ABC, esse momento ganha contornos ainda mais relevantes. O fortalecimento da representatividade regional é essencial para garantir que pautas estratégicas não sejam invisibilizadas no cenário estadual e nacional. Uma região com peso econômico, histórico de organização política e desafios comuns precisa de representantes comprometidos com a defesa de interesses coletivos e com uma visão integrada de desenvolvimento.
Temas como o voto distrital misto, que aproxima o representante de sua base territorial sem desprezar a dimensão programática, o endurecimento das leis penais como resposta à sensação de impunidade, e a priorização de políticas públicas orientadas por eficiência e resultados deveriam ocupar posição central no debate eleitoral. No entanto, muitas dessas pautas seguem à margem das prioridades políticas, apesar de seu impacto direto na qualidade de vida da população.
Assim, 2026 não deve ser visto apenas como mais um ano eleitoral, mas como uma oportunidade histórica de amadurecimento democrático. Qualificar escolhas, valorizar a boa gestão e fortalecer a participação cidadã são passos indispensáveis para construir um país mais justo, eficiente e conectado às reais necessidades da sociedade. O futuro do Brasil passa, necessariamente, pela responsabilidade das decisões tomadas hoje.
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