No Sesc Show na região nesta sexta-feira terá leitura para o jornal, além de grandes clássicos da carreira do cantor
FOTO: Divulgação

O palco do Teatro do Sesc Santo André será ocupado amanhã por um dos nomes mais inquietos e inventivos da música brasileira. No auge de seus 89 anos, Tom Zé chega à cidade com o show Buraco da Fechadura, em que revisita canções emblemáticas de sua trajetória e reafirma uma obra marcada pela ironia, observação crítica do Brasil e reinvenção da linguagem musical. Embora o espetáculo se some a milhares de apresentações feitas no Brasil e no Exterior, a noite reserva um gesto único: uma homenagem inédita do artista ao Diário, em formato de poema.
A apresentação, às 20h, já tem ingressos esgotados e vai reunir músicas que atravessam décadas e gerações, como Augusta, Angélica, Consolação e Menina, Amanhã de Manhã, além do poema dedicado ao Diário, que será apresentado antes do espetáculo. A inspiração para os versos surgiu de perguntas para uma entrevista, que logo foram respondidas: “São tão interessantes as intervenções que você fez que as transformei em versos e as coloquei na abertura da apresentação.” As palavras fazem referência ao palco andreense, à plateia e ao próprio gesto performático do cantor, misturando lirismo, humor e oralidade, elementos centrais de sua obra. O poema pode ser lido na arte abaixo.
Tom Zé (Antônio José Santana Martins) nasceu em 11 de outubro de 1936, em Irará, no interior da Bahia. Ainda jovem, mudou-se para Salvador, onde estudou música na UFBA (Universidade Federal da Bahia), tendo aulas com nomes centrais da música erudita e experimental no Brasil, como Hans-Joachim Koellreutter.
Essa formação acadêmica singular influenciou diretamente sua obra, marcada pela experimentação sonora, pelo uso de estruturas não convencionais e pela mistura entre música popular e conceitos da música contemporânea.
Na década de 1960, integrou o movimento da Tropicália ao lado de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e Os Mutantes, participando do disco coletivo Tropicália ou Panis et Circenses (1968), marco da música brasileira. Após o auge inicial, Tom Zé enfrentou um longo período como artista independente, especialmente nos anos 1970 e 1980, mantendo-se ativo com shows e discos, mas fora do grande circuito.
Seu trabalho foi redescoberto nos anos 1990 graças ao músico norte-americano David Byrne, ex-vocalista da icônica banda nova-iorquina Talking Heads, que relançou seus discos nos Estados Unidos pelo selo Luaka Bop, recolocando o músico baiano em evidência no Brasil e no Exterior.
O último disco do artista, radicado em São Paulo há seis décadas, é Língua Brasileira, lançado em 2022.
LETRUX
No dia 23 de janeiro, o palco do Sesc Santo André também recebe Letrux – 20 Anos Alternativa, espetáculo que revisita duas décadas de produção independente e revela o percurso artístico de Letícia Novaes até a consolidação de sua persona musical.
O show reúne canções de Letrux que dialogam com poesia, teatralidade e pulsação eletrônica, compondo um panorama afetivo da cena alternativa brasileira e das influências que moldaram sua obra.

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