Mais gestão, menos polarização Titulo Coluna

Mais globalização, menos polarização

Paulo Serra
11/01/2026 | 08:40
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Gilmar/DGABC
Gilmar/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Em um mundo cada vez mais integrado, competitivo e interdependente, acordos comerciais deixaram de ser opção ideológica para se tornarem instrumentos essenciais de desenvolvimento econômico. É nesse contexto que o acordo entre a União Europeia e o Mercosul ganha relevância estratégica para o Brasil e, sobretudo, para o futuro da nossa economia.

Após mais de duas décadas de negociações, o acordo representa a possibilidade de integração entre dois grandes mercados, somando mais de 700 milhões de consumidores e criando uma das maiores zonas de livre comércio do mundo. Para o Brasil, trata-se de uma oportunidade concreta de ampliar exportações, diversificar parceiros comerciais e reduzir barreiras tarifárias e não tarifárias que hoje limitam nosso potencial competitivo.

O agronegócio brasileiro, setor responsável por parcela expressiva do PIB (Produto Interno Bruto), de exportações e emprego no País, é um dos grandes beneficiados. A redução de tarifas para produtos como carnes, açúcar, etanol, suco de laranja, café e grãos abre espaço para ganhos de escala, aumento de produtividade e maior previsibilidade para quem produz, investe e gera renda no campo. Isso significa mais competitividade internacional e mais valor agregado à produção nacional.

Mas os efeitos positivos não se restringem ao agro. O acordo tende a estimular investimentos, fortalecer cadeias produtivas, impulsionar a indústria de transformação e ampliar oportunidades no setor de serviços. Mais comércio significa mais atividade econômica e mais atividade econômica significa mais empregos, mais renda e mais arrecadação para financiar políticas públicas essenciais.

Em uma economia globalizada, países que se fecham ao mundo pagam um preço alto. Isolamento comercial reduz crescimento, encarece produtos e diminui a capacidade de inovação. Ao contrário, nações que apostam em integração, regras claras e previsibilidade institucional criam ambientes mais favoráveis ao desenvolvimento sustentável. O acordo União Europeia-Mercosul é, nesse sentido, uma escolha racional e estratégica.

É justamente aqui que entra o papel da gestão pública. Debates comerciais não podem ser reféns de disputas ideológicas, discursos polarizados ou interesses eleitorais de curto prazo. A função do Estado é negociar bem, proteger interesses nacionais legítimos, garantir padrões ambientais e trabalhistas e, acima de tudo, gerar resultados concretos para a população.

O Brasil precisa de menos retórica e mais execução. Precisa transformar acordos assinados em oportunidades reais, com políticas de apoio à competitividade, infraestrutura logística eficiente, segurança jurídica e diplomacia econômica profissional. O desenvolvimento não nasce do conflito permanente, mas da capacidade de dialogar, planejar e implementar.

Colocar o acordo União Europeia-Mercosul em prática é mais do que uma decisão comercial: é um sinal de maturidade institucional. É a demonstração de que o País escolhe o caminho da integração inteligente, da geração de empregos e do crescimento sustentado. Em um mundo complexo e competitivo, fica claro que o futuro pertence a quem governa com responsabilidade, pragmatismo e visão de longo prazo, ou seja, como temos dito insistentemente por aqui: ‘mais gestão, menos polarização!’




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