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Vacinar para proteger o cérebro!

Antonio Carlos do Nascimento
12/01/2026 | 09:04
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FOTO: Seri/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


As vacinas possuem um modus operandi clássico: apresentam as identidades de doenças infecciosas, sem promover sua ocorrência, preparando o nosso sistema de defesa para eventual contato com o agente infeccioso.

Esse processo pode se desdobrar a partir da exposição a vírus ou bactérias atenuados, provocando processos infecciosos brandos, ou em decorrência da exposição a frações virais ou bacterianas específicas. Nestes dois cenários, o sistema imunológico gera uma robusta defesa contra possíveis infecções futuras. 

Mas o que tem chamado a atenção de pesquisadores de todo o mundo é a proteção oferecida por vacinas para além de seus propósitos originais, especialmente no que tange à demência. 

Uma meta-análise recentemente publicada no periódico britânico Age and Ageing, com revisão de 21 estudos envolvendo 104 milhões de participantes com mais de 50 anos na Europa, na Ásia e na América do Norte, constatou que algumas imunizações estavam associadas a quedas substanciais no risco de desenvolver demência em comparação com os não vacinados.

A vacinação contra o herpes-zóster foi associada a uma redução de 24% no risco de desenvolver demência por todas as causas e, para a vacina da gripe, a redução foi de 13%. Entre os vacinados contra a infecção pneumocócica, houve uma redução de 36% no risco de demência por Alzheimer.

A vacina dTpa contra tétano, difteria e coqueluche é recomendada para adultos a cada 10 anos, mas é raramente realizada neste grupo etário. Contudo, foi associada a uma redução de um terço nos casos de demência entre aqueles vacinados.

Ainda não é possível descartar a possibilidade de que o grupo de indivíduos vacinados coincida com aquele mais preocupado com comportamentos saudáveis, como a prática de exercícios físicos e a alimentação com boas métricas, mas é viável a hipótese de que este efeito protetivo esteja relacionado de forma importante ao impedimento de infecções graves e suas consequências para o tecido cerebral.

Em um momento em que, lamentavelmente, conseguimos associar a vacinação a pautas ideológicas, vale a pena refletir sobre o que pretendemos para o nosso envelhecimento, e é melhor que façamos isto sem nos preocuparmos com qual pé entramos em 2026!




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