Cotidiano Há uma guerra em andamento. Na verdade, várias guerras. Tantas, que algumas caíram no esquecimento da grande mídia, que normalmente é meio distraída para com as questões que não lhe tragam um lucro político imediato. O sensacionalismo, velho conhecido do público que ama sobremaneira um barraco de grandes proporções, continua sendo utilizado como se a TV vivesse seus primeiros dias. Não obstante ser a televisão uma empresa, e, como tal, ter mesmo que zelar pelo faturamento, mesmo que seu setor de jornalismo tenha que, vez ou outra, atropelar a boa informação em prol da opinião de gente graúda. Essa é a visão oportuna do empresário das comunicações, o que lida com palavras e imagens, difundindo tudo em grande escala. Ele está sempre propenso a mover suas peças de forma que agrade este ou aquele. É assim, afinal, que funcionam as engrenagens do capitalismo, e dificilmente alguém conseguirá mudar isso.
Claro é, pois, o jogo de interesses que rola solto nos bastidores dos grandes veículos, daqui e do mundo. E, ao contrário do que se diz, vivemos a era da desinformação. Afinal, é preciso garimpar as notícias, aqui e ali, para se buscar algo que se aproxime um pouco da verdade. É necessário estar atento aos diversos e variados veículos de comunicação para uma análise mais profunda sobre as opiniões. Só assim, é possível obter, por exemplo, uma ideia mais precisa sobre quem de fato é vilão e quem é herói na história, ou se ambos são vilões, o mais provável no caso do conflito, objeto desta reflexão.
Na guerra que já protagonizou os horários televisivos, usou-se a destruição do país atacado, a morte de seu povo ou a fuga dele para promover a imagem de líderes que destilam crueldade e movem montanhas para se manterem no poder. E, nesses casos, se há pessoas que se oponham a determinadas medidas, dá-se logo um jeito de retirá-las do cenário, nem que para isso seja preciso apelar para a violência, o que normalmente ocorre.
O jogo do poder é assim: os oponentes se enfrentam movendo as peças sobre um tabuleiro que pode ser representado pelos meios de comunicação, dentre os quais a internet, ou por locais onde se desenrolam encontros furtivos que fecham acordos e tramas. Os jogadores sabem que eventualmente as cidades podem, dependendo do movimento, servirem de tabuleiros também. Mas o poder não se importa. Esteja lá de qual lado estiver, o homem pensa somente em levar a cabo o seu intento, mesmo sabendo que no contexto geral ele é uma unidade, a unidade que determina o destino dos demais habitantes de um país ou do mundo. Manipular a opinião pública, guiando o rumo da mente humana, segundo os seus desejos, é ferramenta que muito contribui para a empreitada. Basta que detenha o poder da comunicação, e tudo isso será arranjado.
Lembrando que aqui, nesta imensa pátria, não poderia ser diferente, tendo em vista a vocação vigarista de quem segue à frente das mídias, determinando os rumos de um povo que tem olhos e ouvidos voltados unicamente para o que a televisão lhe aponta como verdade absoluta.
Rodolfo de Souza nasceu e mora em Santo André. É professor e autor do blog cafeecronicas.com.
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