Viagem Roteiro turístico destaca os principais pontos urbanos e as áreas preservadas do município
FOTO: André Henriques/DGABC

Fundada em 3 de maio de 1964, Rio Grande da Serra preserva uma extensa área verde situada no coração da Região Metropolitana de São Paulo. Com o objetivo de conquistar o título de MIT (Município de Interesse Turístico), a cidade se apresenta como uma alternativa de lazer e turismo para os moradores do Grande ABC.
De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o município possui cerca de 44 mil habitantes. Mesmo quem mora na cidade pode não conhecer todos os pontos históricos que Rio Grande da Serra apresenta em 36 quilômetros quadrados de extensão.
Logo no centro da cidade e em frente ao Paço, uma importante estrutura dá as caras para a rota turística. A Capela de São Sebastião, conhecida também como Santa Cruz, é o marco zero do município. Construído em 1611, o templo religioso preserva a memória dos tropeiros que passaram pela região, condutores de animais de transporte.
“Os tropeiros traziam sal do Litoral paulista. Aqui era um local de parada, uma área alta com água disponível. Os retratos mostram que um deles faleceu, e fizeram uma cruz de orações para homenageá-lo. Com o passar do tempo, a estrutura ao redor foi delineada”, contou a guia e turismóloga da Prefeitura de Rio Grande da Serra, Isabella Fazani.
Inicialmente, a capela recebeu o nome de Santa Cruz devido à presença da cruz. Foi em 1906 que um peregrino passou pelo território, sendo bem acolhido e esculpindo uma figura de São Sebastião. “Fica aberta diariamente e é cuidada por voluntários. Algumas pessoas até escolhem casar nela, devido ao ambiente íntimo e charmoso”, disse Isabella.
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Ao lado, também pode ser vista a Igreja Matriz, reformada recentemente por um morador que ganhou na loteria. Em frente, a Praça da Bíblia é outro espaço utilizado pelos moradores e pela Prefeitura, recebendo diversos eventos ao longo do ano.
A poucos metros do marco zero, a estação de trem, utilizada por cerca de 12 mil pessoas diariamente, também integra a rota turística. A parada da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) é patrimônio tombado desde 2011.
“É a segunda mais antiga do Estado de São Paulo, de 1867, atrás da estação da Luz. Inicialmente foi criada para carga. Por ser tombada, temos que respeitar a estrutura antiga e as cores”, reforçou a guia.
E próximo ponto, uma casa azul de 1914 chama atenção pela estrutura italiana. A Casa Castelucci é uma propriedade privada que preserva a arquitetura dos casarões antigos das colônias europeias. E logo no meio do caminho, a cidade apresenta o Parque Linear, local de encontro para pedestres e turistas.
Outro destaque da rota turística da Prefeitura de Rio Grande da Serra é a bica Matarazzo. Muito usada pelos moradores para pegar água fresca, a bica Matarazzo também é cercada por uma lenda. “É bem antiga, reza a lenda que Dom Pedro I parou aqui para se hidratar. Na época, não era considerada uma bica formal, apenas uma fonte de água”, falou Isabella.
No bairro Pedreira, tudo em volta remete ao gigante de Rio Grande da Serra. Quem passa pela região sem parar pode não perceber suas belezas ocultas. Antes de entrar na trilha, uma escadaria de 108 degraus leva a um dos pontos mais belos da cidade: a Capela Nossa Senhora das Graças. Tanto o local sagrado quanto a escadaria são pintados de azul.
A turismóloga da Prefeitura de Rio Grande da Serra, Isabella Fazani, comentou que o local foi construído com materiais da Pedreira. “A Capela é de 1949 e foi uma solicitação dos próprios moradores do bairro para manifestarem a fé. Logo que começou a exploração, os trabalhadores instalaram uma vila aqui.”
Outro importante ponto da rota turística é a própria gigante de pedra. “A antiga Pedreira foi comprada em 1927 pela Prefeitura de São Paulo, visto que eles precisavam de pedras para construir vias. A exploração só foi interrompida na década de 1970. Hoje, o paredão tem 640 metros de largura e 70 metros de altura, sendo o maior da América Latina”, ressaltou Isabella.
Atualmente, o local é utilizado para trilhas, atividades radicais e preservação ambiental. Diversas espécies de aves, cobras e até mesmo suçuaranas já foram avistadas na área.
DESEJO
Em outubro de 2025, o secretário de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo, Roberto de Lucena, percorreu os principais pontos turísticos de Rio Grande da Serra ao lado do prefeito Akira Auriani (PSB). Foi a primeira vez que um secretário da Pasta visitou oficialmente a cidade.
Na ocasião, o gestor disse que um velho desejo da cidade pode sair nos próximos anos: a classificação do MIT (Município de Interesse Turístico). “O processo começa com a provocação à Alesp <CF51>(Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo)</CF> por um projeto de lei. Quando superarmos essa etapa, com certeza a secretaria estará trabalhando para fazermos esse reconhecimento. Precisamos de Rio Grande da Serra como MIT”, completou Lucena.
Segundo a guia Isabella Fazani, toda a documentação já foi encaminhada à Assembleia Legislativa, restando apenas a análise do processo. “O nosso caminho é o turismo. Estamos em área de mananciais, então indústrias poluidoras não podem se instalar aqui. Temos trabalhado para conquistar o MIT. A parte técnica, com toda a produção documental, já foi concluída e agora está em tramitação na Alesp. O título vai chegar”, afirmou.
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