Mais gestão, menos polarização Titulo Mais Gestão, menos polarização

Transparência ‘Master’

Paulo Serra
18/01/2026 | 09:38
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Seri Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O escândalo envolvendo o Banco Master trouxe novamente à tona um problema recorrente no Brasil: a fragilidade dos mecanismos de controle, a opacidade em determinadas operações financeiras e a dificuldade histórica do País em lidar com irregularidades de forma rápida, técnica e transparente.

De acordo com as investigações em curso e informações já tornadas públicas, o caso envolve suspeitas relacionadas a operações financeiras complexas, possíveis inconsistências contábeis, movimentações atípicas de recursos e indícios de práticas que podem ter violado normas do sistema financeiro nacional. As apurações buscam esclarecer se houve gestão temerária, omissões deliberadas de informações, uso inadequado de instrumentos financeiros e eventual prejuízo a investidores, clientes ou ao próprio sistema bancário.

Ainda que os fatos estejam sob investigação e o devido processo legal deva ser respeitado; a gravidade do caso não pode ser minimizada. Escândalos dessa natureza não surgem do nada. Eles costumam ser o resultado de falhas acumuladas: governança frágil, fiscalização insuficiente, estruturas de controle interno deficientes e, muitas vezes, uma cultura de tolerância com riscos excessivos e pouca transparência.

O ponto central não é apenas o Banco Master, mas o que ele simboliza. Sempre que um escândalo financeiro vem à tona, o impacto extrapola a instituição envolvida. A confiança no sistema como um todo é abalada, investidores ficam mais cautelosos, o crédito encarece e a economia real, aquela que afeta empregos, empresas e famílias, acaba pagando a conta.

Por isso, é fundamental que as investigações avancem com total independência e clareza. O papel do Banco Central do Brasil e dos demais órgãos de controle é decisivo. A sociedade precisa saber o que aconteceu, como aconteceu, quem são os responsáveis e quais medidas serão adotadas para evitar que situações semelhantes se repitam. Transparência não pode ser seletiva nem condicionada a interesses políticos ou econômicos.

O Brasil não aguenta mais escândalos. Não aguenta mais a sensação de impunidade nem a repetição de crises que poderiam ser evitadas com gestão profissional, fiscalização eficiente e regras claras. Cada novo caso reforça a percepção de que aprendemos pouco com os erros do passado, e isso cobra um preço alto.

Investigar “doa a quem doer” não é discurso radical, é obrigação republicana. Não se trata de condenar previamente, mas de apurar com seriedade, sem blindagens e sem conivência. Só assim será possível reconstruir a confiança, fortalecer as instituições e mostrar que o País leva a sério a integridade do seu sistema financeiro.

O caminho para o desenvolvimento passa, necessariamente, por menos escândalos e mais gestão. Gestão baseada em responsabilidade, ética e transparência. O Brasil precisa romper com o ciclo da crise permanente e avançar para uma cultura de prevenção, controle e respeito ao interesse público. Esse é o verdadeiro teste de maturidade institucional que o País precisa enfrentar: agora.




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