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Antes da Vera Cruz... ...o cinema em São Paulo. O primeiro filme falado. Muitas produções. Pouco público. E a crítica metia o pau...

Professor Antonio de Andrade traça um perfil dos primeiros tempos da cinematografia paulistana, repleta de verdadeiros heróis que resistiam

Ademir Medici
25/01/2026 | 03:00
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Crédito da foto 1 – Divulgação: Antonio de Andrade
Crédito da foto 1 – Divulgação: Antonio de Andrade Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


ATÉ QUE...

Todo bairro da Capital orgulhava-se em ostentar pelo menos uma sala de cinema, com o luxo e conforto para onde convergiam, ao menos uma vez por semana, as famílias em seus melhores trajes.

Antonio de Andrade

Aventura nas telas e fora delas

Antonio de Andrade (*)

Na segunda metade da década de 1920 o cinema produzido em São Paulo apresentou alentado e consistente crescimento. 

No período de 1925 a 1929, quando é produzido o primeiro filme sonoro brasileiro, somam-se 49 produções de longas-metragens. Fatores de ordem econômica e política, além de inovações tecnológicas, fariam com que ocorresse um quase desaparecimento do cinema paulista após 1932.

Em 1929, quando Luiz (Lulu) de Barros filmou em São Paulo “Acabaram-se os Otários”, o primeiro “falado” do cinema brasileiro, os filmes paulistas respondiam por metade da produção brasileira. 

Os dados extraídos do livro “Cinema Brasileiro (1908 – 1978) não deixam dúvidas quanto à supremacia da produção paulista. Dos 22 longas, realizados no Brasil em 1929, 11 foram produzidos em São Paulo.

Em 1930 a proporção seria de 14 produções paulistas entre as 27 produções brasileiras e, em 1931, são 17 filmes paulistas de um total de 21.

O café apoia.

Mesmo assim...

Na maioria, os filmes nasciam de iniciativas isoladas e de caráter amadorístico e que contavam com apoio financeiro obtido junto a empresários cafeicultores. O retorno em termos de crítica e bilheteria era deplorável. Em relação à aceitação por parte do público o cenário era o pior possível pois o mercado exibidor, desde meados da década de 1910, estava oligopolizado pelo produto importado, em especial o norte-americano.  

A crise que se instalou no Brasil após a quebra da bolsa de valores nos EUA em 1929, acrescida pelas sucessivas derrotas política e militar, após a deposição em 1930 do presidente da República, o paulista Washington Luís, ocasionaram enormes dificuldades ao empresariado paulista.

A ditadura varguista, idealizada no período do denominado Estado Novo (1937 a 1945) acrescida do rígido controle moral e ideológico praticado pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), resultou em profunda crise no cenário cinematográfico paulista. Apenas dois filmes de longa-metragem produzidos em São Paulo foram lançados comercialmente no período 1937 a 1945. No mesmo período a produção nacional atingiu 63 películas, sendo 90% realizadas no Rio de Janeiro a então capital da República

Além da crise e do controle governamental surgira em meados de 1928 uma novidade que levaria a uma radical mudança no mercado cinematográfico: o filme sonoro que rapidamente passou a ser uma exigência do público.

(*) Texto originalmente publicado no livro “São Paulo na Idade Mídia” (Editora A&C, 2004), em versão revisada e ampliada em dezembro de 2025. 

Antonio de Andrade é sociólogo e mestre em Comunicação Social.

A íntegra deste texto está no Diário On-line (www.dgabc.com.br), numa sequência que focaliza os seguintes pontos:

A concorrência do estrangeiro

Um filme rodado em Jundiaí

A vinda do sistema Movietone

O cinema goleava os esportes e os bailes

O sucesso das chanchadas

E a vinda da Vera Cruz

AMANHÃ NA SEMANA SÃO PAULO – A migração rural/urbana

Crédito da foto 1 – Divulgação: Antonio de Andrade

TÔNIA CARRERO. Começou na vida artística nos anos iniciais do cinema e televisão do Brasil: estrela da primeira e áurea fase da Companhia Cinematográfica Vera Cruz

Para a edição 20.058...

Pelé e o trio de ouro

João Colovatti, José Marqueiz e Hildebrando Pafundi formaram o primeiro trio de ouro do jornalismo do Diário.

Crédito da foto 2 – Banco de Dados; reprodução: João Henrique Medice

O TRIO – Petroquímica União, atual Braskem, 1969. Pelé, piloto das viaturas do Diário, e a caminhada com o repórter-fotográfico João Colovatti e os jornalistas José Marqueiz e Hildebrando Pafundi

DIÁRIO HÁ MEIO SÉCULO

Domingo, 25 de janeiro de 1976

MANCHETE – Bipartidarismo mantém a tranquilidade política.

Segundo o líder da maioria na Câmara, deputado José Bonifácio, até 1978 não haveria qualquer reforma constitucional, e os dois partidos – Arena e MDB – deveriam permanecer, “porque o bipartidarismo tem assegurado tranquilidade política ao país”.

REPRESSÃO – Cerca de 250 pessoas assistiam, na igreja Nossa Senhora de Lourdes, em São Paulo, a missa de sétimo dia em memória do operário Manoel Fiel Filho, morto nas dependências do DOI-Codi.

EM 25 DE JANEIRO DE...

1951 - Fundada a Escola Profissional Ferroviária de Paranapiacaba, uma das sementes do futuro Centro de Formação Profissional Engenheiro James C. Stewart, do Senai.

MUNICÍPIOS BRASILEIROS

No Estado de São Paulo, hoje é o aniversário de Buri, Estrela d’Oeste, São Paulo e Vera Cruz.

Pelo Brasil: Apuiarés, Banabuié, Iguatu e Paramoti (CE), Balsa Nova e Guaporema (PR) e Paraisópolis (MG).

HOJE

Dia da Criação dos Correios e Telégrafos no Brasil (1663) e Dia do Carteiro

Dia Nacional da Bossa Nova

3º Domingo do Tempo Comum

25 de janeiro

“Hoje, a mensagem do Evangelho nos convida ao

seguimento radical de Jesus, que exige conversão e coragem para o anúncio do Reino dos Céus

Fonte: ABC Litúrgico, folheto da Diocese de Santo André (Ano 46 - Nº 2764 - 25/1/2026).

Ilustração: Antônio de Pádua Luz (Diocese de Santo André)

Arte: Paulo César Nunes

Celebra-se hoje a conversão de São Paulo.

Margarida Valério Soares

(Santo André, 20-7-1947 – São Caetano, 16-1-2026)

Ela foi uma verdadeira educadora. Dona Margarida trabalhou como servente na área da educação em São Caetano entre 1985 e 2022. A avó dentro da escola, cuidando dos alunos, conversando com eles, um exemplo – citado pelo professor Luiz Roberto Alves – de como os mais antigos podem complementar o ensino desde a pré-escola.

Pelo seu carisma, dona Margarida era adorada pelos alunos, a quem chamava de “netinhos” e pelos quais era chamada de “vó”. Sua última experiência foi na Escola Municipal de Educação Infantil Helena Musumeci, a Emei do bairro Nova Gerty. Aposentou-se aos 75 anos.

São Caetano, a sua cidade. Nasceu na Vila Prosperidade, quando o bairro pertencia a Santo André. Um ano depois de seu nascimento, em 1948, veio o movimento dos autonomistas. No início dos anos 60, a população da Prosperidade, em plebiscito, volta a ser integrada a São Caetano.

Dona Margarida era filha de Antonio Valério e Maria de Jesus. Casou-se com Jair Soares, com quem viveu quase toda a vida e de quem se despediu há pouco mais de duas semanas, com a partida do marido em 29 de dezembro. 

Jair e Margarida tiveram um filho, James Willians Valério, e um neto, Renan Soares, jornalista, editor do site do Diário. Ela morava no bairro São José, em São Caetano, parte aos 78 anos e foi sepultada no Cemitério da Saudade, bairro Cerâmica.

NOTA – Leiam, no Diário On-line – clique aqui – a despedida comovente do neto da avó.

Crédito da foto – Álbum familiar

AVÓ MARGUINHA. Festa junina na Emei: o orgulho que foi compartilhar o amor com tantas crianças de São Caetano, a sua cidade




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