Mais gestão, menos polarização Titulo Coluna

O respeito como escolha

Paulo Serra
25/01/2026 | 09:30
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Fernandes/DGABC
Fernandes/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Em um ambiente político cada vez mais contaminado pela radicalização, um episódio recente ocorrido no Rio Grande do Sul merece ser destacado não pelo conflito, mas pela postura adotada diante dele. Durante um evento institucional que reuniu o presidente da República e o governador do Estado, o que se esperava era o debate de políticas públicas. O que se viu, no entanto, foi também uma verdadeira aula de civilidade e de coragem política.

Mesmo diante de vaias e de um clima hostil, que infelizmente tem se tornado comum em espaços públicos, o governador Eduardo Leite manteve suas ideias, seus conceitos e sua posição de forma firme e serena. Em vez de reagir com provocações ou recuar por conveniência, reafirmou princípios básicos da democracia: aquele não era um evento de campanha, mas um ambiente institucional; não era um espaço de disputa eleitoral, mas de diálogo entre governos legitimamente eleitos.

Ao lembrar que “esse não é o caminho para a reconstrução do Brasil”, o governador tocou em um ponto sensível, porém necessário. A polarização excessiva tem levado parte da sociedade a confundir democracia com confronto permanente, divergência com hostilidade e crítica com desrespeito. Esse comportamento não fortalece instituições, não melhora políticas públicas e tampouco contribui para enfrentar os desafios reais do País.

É importante destacar que manter convicções em ambientes adversos não é algo confortável. Ideias firmes incomodam, provocam reações e, muitas vezes, geram resistência. Mas é justamente nesses momentos que aquilo que acreditamos e defendemos deve ser colocado à prova. Fugir do debate ou adaptar o discurso ao ambiente pode até ser mais fácil, mas dificilmente é o melhor caminho. A maturidade democrática exige coragem para sustentar posições com respeito, mesmo quando isso causa desconforto.

A fala ganha ainda mais relevância quando se recorda que os mesmos cidadãos que elegeram o presidente Lula também elegeram o governador do Estado. Esse é o funcionamento básico da democracia. Encerrado o processo eleitoral, cabe aos eleitos governar para todos, independentemente de alinhamentos ideológicos. E cabe à sociedade compreender que o interesse público deve estar acima de disputas políticas permanentes.

Eventos institucionais existem para construir soluções, fortalecer parcerias e alinhar políticas públicas. Estados e municípios dependem da cooperação federativa para avançar em áreas essenciais como infraestrutura, saúde, educação e desenvolvimento econômico. Nada disso se constrói com vaias, radicalização ou intolerância.

Quando defendemos mais gestão e menos polarização, falamos exatamente disso: da capacidade de discordar sem desrespeitar, de sustentar convicções sem agredir e de compreender que governar é construir pontes, não aprofundar divisões. A civilidade não é sinal de fraqueza; é demonstração de maturidade política e compromisso com o Brasil real.

O País precisa, urgentemente, reaprender a conviver com respeito às diferenças! E reconhecer atitudes firmes, serenas e institucionais, mesmo em ambientes difíceis, é um passo importante nessa direção.




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