Mobilidade Usuários relatam demora, superlotação, falta de conforto e más condições dos veículos em itinerários que atendem a áreas populosas do município
FOTO: Denis Maciel/DGABC

Moradores de São Bernardo que dependem do transporte coletivo relatam uma série de problemas relacionados à qualidade da frota e à operação das linhas da BR7 Mobilidade. Entre as principais queixas estão a demora entre as viagens, a superlotação, a falta de ar-condicionado, assentos danificados e a má conservação dos veículos.
A equipe de reportagem do Diário andou em coletivos municipais em São Bernardo na semana passada e constatou que as reclamações dos usuários procedem. Os problemas se acentuam em veículos que são destinados a circular em linhas mais afastadas do Centro da cidade, onde a qualidade dos ônibus é, nitidamente, muito melhor.
As principais reclamações envolvem as linhas 51 (Rudge Ramos), 54B (Sacolão) e 07N (Nazaré), que atendem áreas populosas da cidade e são utilizadas diariamente por trabalhadores, aposentados e estudantes.
Usuária da linha 51, que liga o bairro São Pedro a Rudge Ramos, a aposentada Suelene Alves de Barros Bragas, 62 anos, afirma que o desconforto é recorrente. “O que incomoda é a qualidade dos bancos, que não são confortáveis, além das pichações que a gente vê em diversos assentos. Fora isso, os horários são muito demorados”, relata.
Já na linha 54B (Sacolão), usuários apontam a ausência de ar-condicionado como um dos principais problemas, sobretudo durante os dias mais quentes. A dona de casa Elisabete Soares de Sá, 56, moradora da Vila São Pedro, relata o desconforto enfrentado durante o trajeto. “Um dos pontos que mais incomodam é o calor nos ônibus, principalmente neste começo de ano. A qualidade precisa melhorar para trazer mais conforto aos passageiros”, afirma.
Na linha 07N (Nazaré), a principal reclamação é a superlotação, especialmente nos horários de pico. O jovem Cauã Almeida, 21, separador logístico e morador do Jardim Silvina, afirma que o retorno do trabalho costuma ser complicado. “Quando volto, é muito difícil, não tem quase espaço no ônibus e ainda há uma grande demora para o coletivo passar”, diz.
Em nota, a Prefeitura de São Bernardo informou que viabilizou, em 2025, uma ampla modernização da frota de transporte público. Segundo a administração municipal, ao longo do ano foram substituídos 115 ônibus, todos equipados com ar-condicionado, wi-fi, tomadas USB, acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida e tecnologia menos poluente. A renovação representa mais de 25% de toda a frota municipal, de acordo com o Paço.
Ainda conforme a administração, além dos novos veículos, foram incorporados ônibus do modelo MID, que passaram a operar em áreas de difícil acesso, antes não contempladas pelos coletivos.
A Prefeitura também informou que, atualmente, a empresa BR7 opera no município com uma frota total de 401 ônibus. “A fiscalização ocorre de forma contínua, com vistorias periódicas que avaliam itens como segurança, manutenção, equipamentos obrigatórios, conforto e conservação dos veículos, além de fiscalizações diárias durante a operação. Sempre que irregularidades são identificadas, a concessionária é notificada”, diz trecho da nota.
Questionada sobre as condições dos ônibus, a BR7 não respondeu até o fechamento desta reportagem.
INVASÃO
Além das queixas sobre a qualidade do serviço, moradores da região de divisa entre São Bernardo e Santo André também relatam problemas envolvendo a linha 19 Industrial/Los Angeles, operada pela BR7. A Prefeitura andreense investiga a irregularidade, revelada por reportagem do Diário na quinta-feira (22).
Apesar de se tratar de uma linha são-bernardense, os ônibus circulam por vias andreenses, recolhendo passageiros. Além disso, os veículos utilizam a Praça Mariano Procó-pio, no Jardim Guarará, como ponto final. A prática é considerada irregular, já que ônibus licitados para operar em um município não podem realizar transporte remunerado em outro sem que haja autorização específica.
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