Sempre que o Brasil atravessa um período de dificuldade econômica, o debate público recai sobre a mesma solução: novos subsídios, incentivos pontuais e programas emergenciais. Como empresário industrial, com operação instalada no Grande ABC, afirmo com convicção que esse caminho é insuficiente e, muitas vezes, equivocado. O maior problema da indústria brasileira não é a falta de incentivo, é a ausência de previsibilidade.
A indústria trabalha com investimentos pesados, ciclos longos e decisões que impactam décadas. Máquinas, plantas industriais, tecnologia, pessoas e inovação não se planejam com base em medidas temporárias ou políticas que mudam a cada governo. Nenhum empresário sério investe milhões sem saber quais serão as regras tributárias, regulatórias e trabalhistas nos próximos anos.
No Grande ABC, essa realidade é ainda mais sensível. Somos uma região com forte vocação industrial, infraestrutura instalada, localização estratégica e um histórico de protagonismo no desenvolvimento do país. No entanto, convivemos diariamente com insegurança jurídica, custo Brasil elevado e falta de coordenação entre políticas públicas e a realidade de quem produz. Subsídios pontuais não resolvem isso. Eles apenas empurram o problema para frente.
Previsibilidade significa ter regras claras, estabilidade regulatória, política industrial consistente e acesso ao crédito com lógica produtiva. Significa permitir que empresas planejem expansão, modernização e geração de empregos sem medo de que o cenário mude no meio do caminho. Países que se fortaleceram industrialmente não o fizeram com incentivos improvisados, mas com planejamento, disciplina e respeito ao investimento de longo prazo.
O que vemos hoje é um ambiente que desestimula quem produz e favorece quem especula. O empresário industrial brasileiro não pede proteção excessiva nem privilégios. Pede condições mínimas para competir, investir e crescer. Quando essas condições não existem, o capital se retrai, os projetos são adiados e a indústria perde espaço.
É nesse contexto que entidades como o CIESP Santo André têm papel fundamental. Representar a indústria é defender previsibilidade, segurança jurídica e uma agenda de desenvolvimento que vá além de governos e ciclos eleitorais. É pensar o Grande ABC no longo prazo, como polo industrial moderno, competitivo e inovador.
A indústria do ABC está pronta para fazer sua parte. Temos empresários, tecnologia, mão de obra e capacidade produtiva. O que precisamos não é de mais subsídios. Precisamos de previsibilidade para voltar a crescer, investir e gerar oportunidades para a região e para o país.