Choque no ar Incidência de raios ganha destaque após caso na manifestação bolsonarista em Brasília
Raio flagrado em 7 de janeiro de 2026 em Santo André FOTO: Denis Maciel/DGABC

O Grande ABC registrou 22.952 ocorrências de raios no solo das sete cidades em 2025. O levantamento é do Elat (Grupo de Eletricidade Atmosférica) e do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), entidades ligadas ao governo federal.
A incidência de raios ganhou repercussão nacional após um acidente na manifestação bolsonarista do último domingo (25), em Brasília. No ato organizado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL - MG), foram 89 pessoas atendidas pelos bombeiros após a descarga atingir o solo, sendo 47 delas levadas para atendimento médico.
No Brasil, o Inpe avalia que o território tem 78 milhões de descargas atmosféricas por ano. As áreas com contingente urbano podem ter maior quantidade, pois o fenômeno conhecido como ilha de calor e a poluição influenciam a densidade de raios.
O Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) explicou que um raio é formado por três principais fatores: ar quente e úmido próximo à superfície; ar frio em níveis elevados, que promovem o gradiente vertical de temperatura e também pela instabilidade atmosférica, que faz esse ar quente subir rapidamente, como consequência desse gradiente vertical de temperatura.
“O raio atinge o solo por meio da conexão entre a nuvem e o solo. Nesse processo, a nuvem fica carregada negativamente e o solo, positivamente. O campo elétrico se intensifica, a partir disso, a corrente elétrica proveniente da nuvem se conecta com a corrente que parte do solo”, ressaltou o Inmet.
De acordo com o levantamento do Elat e do Inpe, até 26 de janeiro deste ano, foram contabilizadas 7.385 descargas elétricas atmosféricas no Grande ABC, cerca de 32% do total contabilizado em 2025. O Inmet esclareceu que essa grande quantidade logo no começo do ano se deve a fatores naturais do período, já que os raios são formados por nuvens de tempestades, o maior índice de temporais é visto no verão. Consequentemente, esse número tende a diminuir ao longo do ano.
O Grande ABC figura entre as regiões do Estado com maior incidência de raios e é classificada como de alta frequência. Um dos fatores que justificam é a presença de ilhas de calor em razão da saturação da urbanização, ou seja, alta concentração de asfalto e concreto das construções, agravada pela falta de áreas verdes e pela poluição, resultando em aumento das temperaturas.
PODE MATAR?
De acordo com o Inpe, a probabilidade de uma pessoa ser atingida é de uma em um milhão. Contudo, caso alguém seja acertado por um raio, a corrente elétrica pode causar queimaduras e outros danos a diversas partes do corpo. A maioria das mortes de pessoas é causada por parada cardíaca e respiratória.
No Grande ABC, apenas São Bernardo registrou hospitalizações de moradores em decorrência de raios. Segundo a administração municipal, foram contabilizadas duas vítimas. Santo André, São Caetano, Diadema e Rio Grande da Serra não computaram casos. Mauá e Ribeirão Pires não responderam até o fechamento desta edição.
O QUE FAZER?
Segundo o Inmet, diferentemente do que ocorreu na manifestação no Planalto Central, o morador não pode ficar em áreas abertas em situações de temporal, como campos e praias, e deve abrigar-se em locais seguros com portas e janelas fechadas.
Os manifestantes de Brasília ficaram expostos à chuva forte. No local, foram registrados em apenas duas horas 80 milímetros de água.
Além disso, o órgão orienta a pessoa a se manter afastada de objetos como torres, postes elétricos e árvores.
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