Setecidades Titulo Violência contra a mulher

Grande ABC registra maior número de feminicídios da história

Com 16 registros, região bate recorde da série iniciada em abril de 2015; em relação a 2024, quando oito vítimas foram contabilizadas, o aumento é de 100%

30/01/2026 | 19:44
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FOTO: Reprodução/EBC
FOTO: Reprodução/EBC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Desde o início da série histórica, em 2015, o Grande ABC nunca havia registrado tantos casos de feminicídio quanto em 2025. No ano passado, 16 mulheres foram assassinadas, número que representa um aumento de 100% em relação a 2024, quando oito vítimas foram contabilizadas na região.

Segundo dados da SSP (Secretaria da Segurança Pública), as mortes ocorreram em Santo André (7), Diadema (4), Mauá (3) e São Bernardo (2). Em relação às tentativas de feminicídio, o Grande ABC registrou 36 ocorrências no mesmo período.

O último ano com maior número de registros havia sido 2023, com 13 casos. O recorde observado na região acompanha a tendência estadual. São Paulo teve 266 casos em 2025, maior número dos últimos dez anos.

A série histórica iniciou em abril de 2015, ano em que o feminicídio foi tipificado como crime por lei federal. A legislação considera feminicídio quando o assassinato ocorre no contexto de violência doméstica e familiar ou envolve menosprezo, ou discriminação à condição de mulher da vítima.

Para a advogada especialista em Direitos Fundamentais, Penal e Segurança Pública, Flávia Artilheiro, o machismo estrutural é um fator central na dinâmica social que leva a esse tipo de crime. “O sentimento de posse e propriedade que indivíduos machistas ainda nutrem sobre as mulheres não se dissipou e permanece presente nas relações que resultam nesses desfechos fatais. Por isso, são necessárias medidas educativas e uma repressão estatal rigorosa aos agressores”, afirmou.

Segundo Flávia, uma das principais estratégias de combate ao feminicídio é a conscientização das mulheres sobre o ciclo da violência doméstica, possibilitando que identifiquem os primeiros sinais e consigam romper a relação. “Outras ações, como a garantia da efetividade das medidas protetivas, investigações céleres e processos criminais que resultem na responsabilização dos agressores e em sua retirada do convívio social, também contribuem para a redução dos índices”, reforçou.

Procurada, a SSP informou que "o enfrentamento à violência contra a mulher, incluindo os casos de feminicídio, é prioridade do governo do Estado. Em 2023, foi criada a Secretaria de Políticas para a Mulher, Pasta transversal responsável pela estruturação de uma política integrada e permanente de prevenção, proteção e resposta rápida às vítimas."

“Apenas nos últimos dois meses, mais de 1.100 homens foram presos em flagrante e mais de 800 condenados por crimes contra mulheres”, concluiu a pasta.


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