Eleição Retorno de Lauro movimenta bastidores do governo Taka, com Marcos se lançando para enfrentar primo; PT aposta suas fichas em Josa para estadual
Celso Luiz/DGABC

Sem eleger deputado federal desde 2010 e estadual desde 2018, Diadema entra para uma nova eleição com o desafio de superar adversidades e cisões entre grupos políticos. O cenário que se desenha não apenas reflete essa fragmentação, mas também expõe uma crise familiar que promete ditar tal disputa. O retorno do ex-prefeito Lauro Michels (PSD) aos bastidores fez o governo Taka Yamauchi (MDB) se mexer. A aposta do emedebista deve ser Marcos Michels (PL), a fim de entrar em rota de colisão com o primo.
Enquanto um lado apresenta fissuras internas, no flanco oposto, o PT tenta retomar o protagonismo perdido após a tentativa frustrada de reeleição de José de Filippi Júnior em 2024. Para isso, a legenda concentra esforços na candidatura do vereador Josa Queiroz (PT) a deputado estadual. Com tal tabuleiro, a representatividade do município dependerá de qual grupo conseguirá converter o capital eleitoral local em sufrágios suficientes para encerrar o jejum de vozes diademenses nas instâncias estadual e federal.
No entanto, para isso, Diadema precisará quebrar um tabu, visto que os últimos êxitos de candidaturas à Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) e à Câmara Federal se sustentaram com apoio de prefeitos em pleno exercício do mandato. Foi assim com Filippi em 2010 a deputado federal, puxado por Mário Reali, conquistando 82.641 votos diademenses dos 149.521 totais – fatia de 55,27%. Quatro anos depois, Lauro Michels bancou Regina Gonçalves a estadual, alcançando 36.421 sufrágios locais perante soma de 58.009 – 62,8% de dependência da cidade de origem.
Em 2018, quando nasce o racha entre Lauro e Marcos Michels – à época presidente do Legislativo municipal –, a aposta do prefeito foi no seu vice Márcio da Farmácia (hoje filiado ao Cidadania), assim preterindo o primo. Naquele pleito, o número dois do Paço diademense foi eleito deputado estadual ao conquistar 44.969 votos, sendo 35.308 deles oriundos de Diadema – concentração de 78,51% do seu eleitorado na base local.
APOIO FRAGMENTADO
Diferentemente de seus antecessores, Taka não concentra energias em uma única candidatura proporcional. O emedebista deve estender a mão a figuras de outras localidades, como as deputadas estaduais Ana Carolina Serra (Cidadania) e Carla Morando (PSDB), sob a justificativa de que sua adesão se baseará em quem encaminhou investimentos ao município. Entretanto, o retorno de Lauro, crítico ferrenho da atual gestão, o fez cogitar uma chapa caseira.
Logo, Taka cogita lançar Marcos Michels, atual secretário de Governo, para enfrentar Lauro, externando uma ruptura em uma das mais tradicionais famílias de Diadema. O ex-prefeito se encontrará com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab – secretário de Governo e Relações Institucionais do Estado – nos próximos dias a fim de discutir o projeto eleitoral. Embora não garanta a chapa, a tendência do pessedista é se lançar a deputado estadual, com o ex-vereador Atevaldo Leitão, mandatário municipal da sigla, a federal.
Outro nome que pode surgir como postulante à Alesp, com o intuito de minar os planos de Lauro, é o do ex-vereador Robson Nascimento Santos, o Boy (Progressistas), atualmente assistente na Pasta de Segurança Alimentar. Já Márcio da Farmácia retornará à cena com o objetivo de reaver seu assento na Assembleia, em possível dobrada com Alex Manente (Cidadania), mas, neste caso, sem o patrocínio oficial do chefe do Executivo.
DOBRADAS
Dentro da Câmara de Diadema, além de Josa, o vereador Reinaldo Meira (Solidariedade) também propõe candidatura, buscando fixar dobrada com o deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade) na cidade. Já no PSB diademense, duas correntes podem surgir de forma independente: o ex-petista Renato Moreni se projeta ao Legislativo estadual apoiando a reeleição de Tabata Amaral no Congresso, enquanto o ex-vereador Célio Boi se lança a federal para dar base a um novo mandato de Caio França na Alesp.
O PT de Diadema tinha planos de lançar o vereador Orlando Vitoriano na empreitada a federal, mas o petista desistiu do projeto. Por essa razão, a sigla ainda definirá se terá um nome local com intuito de buscar um assento em Brasília.
LEIA TAMBÉM:
"Ao menos oito nomes de São Caetano estarão nas urnas em outubro"
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.