Em Santo André Fração do imóvel (29,50%) avaliada em R$ 3,5 milhões foi vendida, por oferta única, abaixo do preço de mercado
FOTO: Claudinei Plaza/DGABC/Banco de Dados

Parte do imóvel onde funcionou o antigo Hospital Jardim, na Rua das Bandeiras, no bairro Jardim, em Santo André, foi arrematada em leilão judicial realizado na manhã desta quinta-feira (26). O pregão foi aberto no dia 19 de janeiro e, desde então, não houve outras propostas. A oferta vencedora foi única, no valor de R$ 1,4 milhão, inferior à avaliação de R$ 3,5 milhões para a fração de 29,50% do prédio.
O arremate ocorreu às 11h20, por meio de plataforma eletrônica TrustBid, e foi registrado pelo usuário identificado como ‘Phrholding’, que ofertou R$ 354 mil de entrada e vai quitar o saldo em 30 parcelas, condição permitida pelo regulamento.
O leilão foi conduzido no âmbito de um processo trabalhista que tramita na 2ª Vara do Trabalho de Suzano, envolvendo diversos executados, entre empresas e pessoas físicas.
O prédio, que está desativado há pelo menos 15 anos, apresenta avançado estado de deterioração. De acordo com informações constantes no processo, o prédio sofreu vandalismo ao longo dos anos e não foi possível atestar suas condições estruturais atuais, já que o acesso ao interior está comprometido.
Com área construída estimada em mais de 5.000 metros quadrados, o imóvel também acumula uma série de entraves judiciais, incluindo penhoras, indisponibilidades e hipoteca. Apesar disso, conforme decisão judicial, o comprador não será responsabilizado por débitos tributários anteriores, como dívidas de IPTU (Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana).
ENTRAVES
O leilão ocorre meses após tentativas da Prefeitura de Santo André de dar uma destinação ao espaço. Em outubro de 2025, o município chegou a firmar um acordo de anticrese com parte dos proprietários, que permitiria o uso do imóvel para abater uma dívida de cerca de R$ 10 milhões em tributos.
A proposta previa a cessão temporária da posse à Prefeitura, que poderia alugar o prédio ou utilizá-lo para fins públicos. No entanto, o plano foi interrompido em dezembro do mesmo ano, após decisão judicial que suspendeu qualquer intervenção no local.
A Justiça apontou possíveis irregularidades no acordo, como a ausência de assinatura de todos os coproprietários e a existência de restrições judiciais sobre o bem. Também foi destacado o risco de prejuízo aos cofres públicos, caso investimentos fossem realizados em um imóvel sujeito a leilão.
Questionada, a Prefeitura de Santo André, por meio da Secretaria de Assuntos Jurídicos, informou que não foi notificada oficialmente sobre o leilão. “Se algo mudar dentro deste mérito, a administração analisará com parcimônia para buscar uma resolução que atenda ao bem da cidade.”
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