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Histórias semeadas. Histórias anotadas. Casos populares. Que todos conheciam. Mas que poucos registraram.

Memória inicia neste domingo a II Semana Ribeirão Pires 2026 revelando dois contadores de história da cidade

Ademir Medici
29/03/2026 | 03:00
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Crédito das fotos – Projeto Memória
Crédito das fotos – Projeto Memória Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


No jargão jornalístico, são duas fontes da memorialista Aída Arnoni Bressan que, entre outras virtudes, sabia ouvir os mais velhos, aprender com eles, colocar no papel as histórias contadas.

No capítulo de hoje, dona Aída – em seu livro inédito – lembra de Antonio Guimarães e Paula Bueno. 

Alô, alô, estudiosos de Ribeirão Pires: aprendemos todos com dona Aída, falar o necessário, ouvir muito e escrever – como ela escrevia. 

Paula Bueno, 94 anos.

Antonio Guimarães, 114.

Como diz nossa interlocutora,

patrimônios de Ribeirão.

Histórias que dona Aída conta - 6

O sr. Antonio Guimarães, um velho de 114 anos, é um verdadeiro patrimônio histórico de nossa cidade. Tinha muito que contar sobre a escravidão. Chegou a ser entrevistado por um jornal e ficou muito feliz com isso. Era amável, sempre sorridente. Morou na velha casa do major Catta Preta antes dela ser derrubada.

UMA ENTREVISTA

Visitei dona Paula Bueno, uma vovó de 94 anos, e entre um café e outro muita coisa boa e linda ela me contou. Também a considero patrimônio histórico de Ribeirão Pires.

Com toda aquela idade, dona Paula fazia crochê para fora sem usar óculos.

- Quantos anos a senhora tem? – perguntei.

- Estou com 94 e quase largando a casca – respondeu vovó Paula.

O neto de dona Paula entrou na conversa.

- Há 20 anos ela fala que está para largar a casca.

Dona Paula Bueno nasceu em 21 de dezembro de 1880. Estive com ela em 25 de maio de 1974. Naquele ano mesmo ela faleceu, em 1º de outubro.

O COVEIRO ESPERTO

Eugênio Barbieri era coveiro. Morava em frente do Cemitério São José. Gostava de uma pinguinha. E quando bebia, chegava “alto” em casa, sempre escandaloso.

Estava assim, “bebinho”, quando, em certa noite, chega em casa e bate à porta. A esposa não abre e manda que ele durma ao sereno.

- Vou me jogar no poço – ameaçou Barbieri.

Da ameaça ao fato, amarrou uma pedra numa corda e jogou a pedra no fundo do poço: tchibum...

A mulher, ao ouvir o baque da pedra na água, abre a porta e sai gritando, desesperada. O marido, que se escondera, aproveita a deixa, larga a mulher lá fora e vai dormir tranquilamente.

“A casa ainda existe”, contava dona Aída, na finalização de mais um caso.

  

Crédito das fotos 1, 2 e 3 – Projeto Memória

O SONHO DO MUSEU. 

Era 1996. E em 2026...

1 – Ferroviários bons de malha: Reinaldo Cobrinha (E), Irineu, Eron, Pinhão, Lázaro, Cândido, Amândio, Benedito, Manoel e José Maria (encarregado da salada e caipirinha)

2 – Este repórter grava com antigos ferroviários no pátio do armazém transformado no Museu Família Pires: guardamos todas as gravações

3 – Estudantes percorrem exposição na parte interna do Museu de Ribeirão Pires: essas vitrines foram compradas pessoalmente por dona Norma Prisco, madrinha do museu

Para a edição 20.121...

Reencontro

Na Redação do Diário, Helena Domingues tocava a Geral, Rodolfo Bonventi chefiava a reportagem, Roberto Gazzi enveredava pela política. Anos 80. Décadas depois, num bar da moda em São Bernardo, a reaproximação. E lá estava Fernando Ferreira, fazendo memória. Seguiram carreiras maravilhosas, todos eles.

Crédito da foto 4 – Fernando Ferreira

FOI ESSE ANO. Helena, Rodolfo, Gazzi: fidelidade à profissão e à região

DIÁRIO HÁ MEIO SÉCULO

Domingo, 28 de março de 1976

TRABALHO – Governo anunciava criação de mais empregos no país; sindicatos e órgãos ligados ao trabalho e colocação de mão-de-obra do Grande ABC questionavam o ministro Arnaldo Prieto: “por aqui houve estagnação”.

EM 29 DE MARÇO DE...

1906 – A greve de operários da fábrica de tecidos da firma Silva, Seabra & Cia., estabelecida no bairro do Ipiranguinha, na Estação São Bernardo, prosseguia.

Mantinham-se os grevistas em atitude pacífica.

Funcionava a seção de fiação, interrompida a da tecelagem. Trabalhavam cinco ou seis teares dos 200 instalados.

Praças públicas vindas de São Paulo ampliavam o policiamento.

NOTA DA MEMÓRIA – A greve na Ipiranguinha era a única registrada em março de 1906. Entraria para a história. Dela falam os estudiosos do tema, entre os quais Everaldo Dias.

1966 - Inaugurada a estação ferroviária de Santa Terezinha, em Santo André. Substituía antiga parada inaugurada em 1952. 

Fonte: "News Seller", 31-3-1966.

2021 – Em manchete, o Diário noticiava a morte do advogado trabalhista Mauricio Soares, três vezes prefeito de São Bernardo. Aos 81 anos, Dr. Mauricio foi sepultado no cemitério de Vila Euclides.

MUNICÍPIOS BRASILEIROS

No Estado de São Paulo, hoje é o aniversário de Pirajuí. Torna-se município em 1914, quando se separa de Bauru.

Capitais: Salvador, fundada em 1549, e Curitiba, fundada em 1693.

No Maranhão: Barão de Grajaú, Mirador, Chapadinha, São Bernardo e Vargem Grande. 

E mais: Abadia de Goiás (GO), Araioses, Aratuba (CE), Ipiranga do Norte (MS), Monte Sião (MG) e São João do Itaperiú (SC).

NOTA – A cidade de São Bernardo, no Maranhão, xará da São Bernardo “do Campo”, aqui no Grande ABC, foi fundada em 29 de março de 1938.

Domingo de Ramos

Paixão do Senhor

29 de março

“Com grande alegria iniciamos hoje a Semana Santa, o coração do ano litúrgico. Reunidos neste Domingo de Ramos, recordamos a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, acolhido com ramos e aclamações pelo povo que o reconhece como rei e messias.”.

Fonte: ABC Litúrgico, folheto da Diocese de Santo André 

(Ano 46 - Nº 2774 - 29/3/2026)

Ilustração: Amauri Guimarães (Diocese de Santo André)

Arte: Paulo César Nunes

“(...) que todos participem dos momentos celebrativos que teremos aqui em nossa basílica, especialmente durante a Semana Santa”).

Padre Alejandro Cifuentes

Pároco da Basílica da Boa Viagem

São Bernardo




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