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Grande ABC registra 72 hospitalizações por transtornos de humor ao mês

Em 2025, Grande ABC teve 863 internações; hoje é celebrado o Dia Mundial da Bipolaridade, voltado à conscientização

30/03/2026 | 08:30
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FOTO: Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O Grande ABC registrou, por mês, 72 casos de internação por transtornos de humor em 2025. Segundo dados do DataSUS, do Ministério da Saúde, a região contabilizou 863 entradas médicas no ano passado. Em 2024, foram 885 – variação de 2,4% no período.

De acordo com as informações do departamento de saúde, os transtornos de humor afetivos compilados pelo painel envolvem episódios maníacos e depressivos e o transtorno bipolar.

Nesta segunda-feira (27) é celebrado o Dia Mundial do Transtorno Bipolar. Segundo o Ministério da Saúde, a data foi escolhida devido ao aniversário do pintor holandês Van Gogh, diagnosticado como provável portador da condição. O objetivo é chamar a atenção para os transtornos, eliminar o estigma social e educar.

De acordo com a psicóloga e professora do UniArnaldo (Centro Universitário Arnaldo Janssen) de Belo Horizonte, Rachel Sette, a bipolaridade é uma condição neurobiológica. “A condição é caracterizada por variações acentuadas e desproporcionais do humor. O transtorno se manifesta por oscilações entre episódios de euforia e episódios de depressão profunda. Não é uma mudança de opinião ou instabilidade emocional passageira, mas sim uma patologia crônica”, disse. Dessa forma, o paciente enfrenta quadros alternados entre os episódios citados.

De acordo com a especialista, o diagnóstico é clínico, feito a partir da história do paciente e de familiares e da avaliação do psiquiatra, sem exames de sangue ou de imagem. O tratamento dessa condição é realizado em diversas frentes, com medicamentos e psicoterapia, conforme explicou a psicóloga.

Para a professora de psicologia da Umesp (Universidade Metodista de São Paulo), Angélica Capelari, o transtorno afeta diretamente a saúde mental do paciente. 

“Quando está na fase de euforia, pode se expor indevidamente e, posteriormente, pode não aguentar tamanha alteração. E quando entra no ciclo de depressão, acaba se dando conta e não conseguindo manter um nível, não sendo nem capaz de sair da cama, por exemplo”, comentou.

Os transtornos de humor, compilados do DataSUS e que incluem o bipolar, mostram que 45,6% dos casos de internações foram entre a faixa etária de 30 a 49 anos em 2025. 

Rachel explicou que nesse período da vida as pessoas enfrentam as principais exigências da sociedade. “Os indivíduos têm pela frente a consolidação da carreira, gestão financeira familiar, criação de filhos e cuidados de pais idosos. Para alguém que já tem predisposição a transtornos de humor, esse excesso de estressores ambientais pode ser o gatilho para crises graves que levam à internação”, relatou.

Apesar da predominância nessa faixa-etária, a professora da Umesp, Angélica Capelari, contou que a condição pode se apresentar em qualquer idade, até mesmo na infância e em idosos. “Nas crianças e adolescentes, o diagnóstico é mais difícil por conta de questões de desenvolvimento global, físico e mental. Em pessoas com mais de 60 anos, o transtorno afeta da mesma forma que na fase adulta, mas diria que é preciso ter mais cuidado, pois já apresentam tendência a processos depressivo”, concluiu.

ESTIGMA

Mesmo com avanços e um dia voltado à conscientização, o transtorno bipolar ainda sofre com estigma social. A psicóloga Raquel Sette avalia que o preconceito prejudica e dificulta o acesso ao tratamento.

“Muitas vezes o termo bipolar é usado pejorativamente para descrever alguém difícil ou temperamental, o que banaliza a gravidade da doença. Esse preconceito faz com que muitos pacientes escondam o diagnóstico por medo de demissão ou exclusão social, o que atrasa o tratamento”, disse.




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