Saúde de Família & Comunidade Titulo Saúde de Família & Comunidade

A Medicina de Família e Comunidade existe

Fabiano Gonçalves Guimarães
30/03/2026 | 08:37
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ARTE: Gilmar
ARTE: Gilmar Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Há 50 anos foram fundados os três primeiros programas de residência médica em Medicina de Família e Comunidade. Desde 1976, o Brasil passou a contar com especialistas no cuidado integral à saúde, com uma abordagem clínica voltada para a pessoa, a família e o território onde se vive.

A partir dessas formações, no Centro de Saúde Murialdo, em Porto Alegre, no Projeto Vitória, em Vitória de Santo Antão, e no Serviço de Medicina Integral da UERJ, no Rio de Janeiro, a especialidade se consolidou. Hoje, somos mais de 12 mil médicas e médicos de família e comunidade atuando em todos os estados, representados nacional e regionalmente pela Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade e por suas associações estaduais.

Ainda é comum associar o médico de família a uma figura do passado. No entanto, essa é uma das especialidades que mais crescem no país, com atuação tanto no SUS quanto na saúde suplementar. Isso mostra que nunca deixamos de existir. Aquele profissional que conhece as pessoas, acompanha suas histórias e cuida de diferentes gerações continua presente, agora com ainda mais alcance.

Ao longo desses 50 anos, a especialidade ampliou sua atuação e hoje está presente em diversos contextos, inclusive em territórios historicamente negligenciados, onde o cuidado em saúde muitas vezes representa uma das principais formas de presença do Estado.

Como médico de família e comunidade atuando no SUS há mais de 15 anos, atendo pessoas de todas as idades em uma grande cidade. Junto à equipe da Estratégia Saúde da Família, também levamos atendimento a áreas rurais remotas que não contam com equipes próprias. As consultas acontecem em espaços adaptados, como escolas ou locais improvisados, quando não há unidades de saúde disponíveis.

Essa realidade se repete em todo o país. São milhares de profissionais atuando em periferias urbanas, áreas rurais, territórios indígenas e junto à população em situação de rua, sempre com o compromisso de garantir cuidado integral e contínuo.

As abordagens familiar e comunitária são centrais na especialidade. A saúde está diretamente relacionada ao contexto de vida, incluindo condições de moradia, saneamento e acesso a recursos. Por isso, compreender o território é essencial para um cuidado mais efetivo. Há profissionais que acompanham gerações de uma mesma família, fortalecendo vínculos e ampliando a capacidade de cuidado, especialmente na prevenção e no manejo de doenças crônicas.

A especialidade que acompanha as pessoas ao longo de toda a vida segue mais ativa do que nunca. Que esses 50 anos sejam apenas o início de uma trajetória ainda mais potente, com mais reconhecimento, presença e cuidado para todas as pessoas.

Fabiano Gonçalves Guimarães é presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade




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