Editorial A chegada do delegado Jair Barbosa Ortiz à chefia da Polícia Civil em Diadema qualifica debate frequentemente marcado por simplificações. Ao assumir a prioridade de enfrentar roubos, o seccional optou por caminho que contrasta com discursos difundidos em momentos de insegurança. Em vez de transferir responsabilidades a outras instituições, postura comum quando índices criminais preocupam a população, o novo dirigente afirma que cabe à sua própria equipe aperfeiçoar apurações e ampliar o esclarecimento de delitos. Trata-se de posição que recoloca o trabalho investigativo no centro da política de segurança pública e reafirma a função institucional da corporação.
O depoimento do delegado ganha peso sobretudo por rejeitar a narrativa falaciosa segundo a qual uma suposta leniência da Justiça seria responsável pelo avanço da criminalidade, sob o argumento de que suspeitos seriam libertados sistematicamente logo após a prisão. Embora bastante difundida, essa tese ignora o funcionamento do sistema penal. Investigações bem estruturadas, com provas consistentes, permitem que o Judiciário mantenha acusados sob custódia enquanto o processo segue seu curso. Ao destacar essa realidade, Ortiz lembra que a eficiência policial começa na produção de inquéritos sólidos, capazes de sustentar denúncias e garantir que autores de delitos respondam por seus atos.
Esse entendimento devolve à segurança pública um elemento muitas vezes negligenciado, deixado em segundo plano: a responsabilidade institucional. Quando um delegado assume para si e para sua equipe o compromisso de melhorar índices de esclarecimento, ele demonstra respeito ao papel que a Constituição atribui à Polícia Civil. A sociedade necessita de dirigentes que compreendam essa tarefa sem recorrer a discursos fáceis ou à transferência de culpa. A redução da criminalidade depende de trabalho técnico, cooperação entre forças de segurança e investigação consistente. Por isso, resta desejar êxito ao delegado seccional de Diadema. Boa sorte em sua missão, doutor Ortiz.
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