Memória No cotidiano de um jornal, sempre corrido, há janelas que emocionam; a memória de hoje é uma prova

O relato seguinte envolve uma querida memorialista – Aída Arnoni Bressan – o jornalista Evaldo Novelini, diretor de Redação do Diário; e o jornalista Darwin Valente, apresentador do "DV Cast" nos Estúdios RTV, em Mogi das Cruzes.
I - O “LEITOR”
Escreveu dona Aída, nesta Semana Ribeirão Pires 2026:
Vicente Grecco não sabia ler, mas comprava jornais todo santo dia. E ficava atento aos comentários junto à banca de jornais.
Se alguém lhe perguntasse sobre determinada notícia, ele abria o jornal na página certa e comentava o que havia gravado das conversas ao redor. Jamais se enganava.
II – O MESTRE
Mensagem do Evaldo Noveli pelo canal interno do Diário:
Primeiro, a apresentação necessária: Darwin Valente é um dos mais rigorosos jornalistas que conheço, e um dos mais competentes. É meu maior professor; o que sei, devo a ele -- as falhas são exclusivamente minhas. É um dos poucos que merecem ser chamados de "mestre".
Trabalhei uma década ao lado dele, em O Diário, de Mogi das Cruzes, sorvendo cada ensinamento dele e deliciando-me com suas histórias. Pense em alguém que sabe contar um causo e você terá uma ideia aproximada de quem é esta pessoa.
Atualmente ele mora em Mogi das Cruzes, mas é natural do Embaú, um povoado ligado ao município de Cachoeira Paulista, no Vale do Paraíba.
Pois bem. Estava eu fechando o jornal de segunda-feira (23 de março) quando, ao ler a sua coluna, deparei-me com a odisseia de Vicente Grecco, o "leitor" analfabeto de jornais.
Ri e, já na sequência, quis compartilhar com Darwin, que aprecia este tipo de anedota - epa, epa, eu sei, perdoe-me; este tipo de episódio.
Encaminhei uma cópia com o recado: "Tô editando a nossa coluna Memória que será publicada amanhã e um dos causos me chamou tanto a atenção, pela peculiaridade, que resolvi compartilhar com você".
O relógio marcava 16h10 de domingo. Às 19h42 recebo uma resposta, que agora faço questão de compartilhar contigo, Ademir. Veja que primor.
III – O COMPADRE
Escreveu Darwin Valente:
Lá no Embaú, o dono da única venda do lugar era completamente analfabeto, mas não perdia a pose. Nos dias mais frios, logo pela manhã, colocava sua cadeira ao sol e aproveitava para ''ler'' o jornal que alguém havia deixado em seu estabelecimento. Folheava demoradamente o impresso, até que chamou alguém da redondeza para ver algo que lhe deixou apavorado.
- Compadre, venha ver que acidente horrível com esses dois carros!
O compadre foi até ele e viu dois veículos com as rodas para cima em um anúncio de uma concessionária que aparecia no jornal que estava de cabeça para baixo.
- Meu Deus, que coisa horrível!, concordou o compadre, para evitar uma confusão ou perder o velho amigo...
Pois bem, o tempo passou, o Mobral chegou ao Embaú e o nosso vendeiro foi um dos primeiros a se matricular para ''melhorar a leitura'', como ele fazia questão de expor aos amigos. Jamais perdia a pose.
Pois após o final do primeiro ano de aulas noturnas, não é que o nosso herói aprendeu mesmo a ler? Aí, então, fazia questão de mostrar a todos o resultado do ano de estudos. Tanto que certo dia, chamou de novo o seu compadre e leu para ele uma notícia da página policial. Só que, sem muita experiência, começava a ler uma linha na primeira coluna e seguia lendo a mesma linha até chegar ao final da oitava coluna (êta jornalão daqueles tempos!).
Foi então que, mesmo sabedor da fama de bravo e violento de seu interlocutor, o compadre disse, candidamente:
- Compadre para ler o jornal, o senhor precisa respeitar esses fiozinhos pretos que separam cada montinho de letras.
Foi o que bastou para tirar o homem do sério. Vermelho de raiva, ele se levantou da cadeira, deixando à mostra o cabo da peixeira que trazia na cintura. Atirou o jornal no chão e, dedo em riste, partiu para cima do já arrependido compadre:
- Lá aqui, homem!!!! Eu sou uma cara que nunca respeitei nem cerca de arame farpado e não será você que irá me fazer respeitar risquinho preto em paper!!!!''
Vendo a situação cada vez mais crítica para o seu lado, não restou a ele senão concordar, mais uma vez, com seu irritadiço compadre...
- Detalhe: conheci o personagem e atesto e dou fé à veracidade das duas histórias.
EPÍLOGO
Conclui Evaldo Novelini, com o que concordamos:
É por isso que, e agora já sou eu que digo, amo o jornalismo.
NOTA DA COLUNA – Querida e saudosa dona Aída, onde quer que esteja: viu que maravilhosa repercussão está dando o livro que a senhora escreveu e jamais publicou? Vale por toda essa semana de amor a Ribeirão Pires e ao jornalismo.
Colega Darwin Valente, prazer em te conhecer. Vamos combinar um café com o Evaldo Novelini. O chefe paga.

Crédito da ilustração 1 – Arte: Agostinho Fratini

Crédito da foto 2 – Banco de Dados

Crédito da foto 3 – Gazeta de Guararema
QUE CAUSO! – Aída Bressan, Evaldo Novelini e Darwin Valente: a arte de contar história
DIÁRIO HÁ MEIO SÉCULO
Quarta-feira, 31 de março de 1976
SANTO ANDRÉ – Prefeitura manda instalar uma antena no alto do Paço Municipal, com o objetivo de evitar interferências e melhorar a comunicação em seus rádios-transmissores.
EM CARTAZ – Hoje (31-3-1976), no Studio Center, em Santo André, “O Caçador de Fantasmas”.
Situado no Centro de Santo André, o Studio Center tinha como slogan: “O único cinema com fumoir” – termo francês para sala de fumantes.
EM 31 DE MARÇO DE...
1906 – Expectativa pelo reinício de funcionamento da fábrica de tecidos Ipiranguinha, na Estação São Bernardo (Santo André).
Quinhentos operários demitidos. Vinte operários contratados e trazidos de Tatuí. Polícia prende e solta quatro líderes da greve. Cem teares já em funcionamento.
O funcionamento total da fábrica era aguardado para a segunda-feira, 1º de abril (de 1906).
1926 - Empresa Imobiliária de São Bernardo, da família Pujol, lançava novo loteamento urbano na região, a Cidade Jardim Nova Petrópolis, no centro de São Bernardo.
NOTA DA MEMÓRIA – Gente boa de Nova Petrópolis, esse bairro modelo está completando seu primeiro centenário. Tempo de celebrar.
1936 - O Departamento de Estradas e Rodagem - DER - publicava edital ponto em concorrência pública a construção da estrada de rodagem de São Paulo a Santos, que receberia o nome de Via Anchieta.
1976 - Inaugurada a avenida 31 de Março, em São Bernardo, interligando o quilômetro 16,5 da Via Anchieta à avenida Taboão e cortando todo o Bairro Paulicéia
1996 – Entrevista de página inteira no Diário focalizava a visita do estilista Ocimar Versolato à sua família em São Bernardo.
Primeiro, o visitante fez um sermão: “Detesto que venham me procurar na casa da minha mãe; eu separo muito bem as coisas: Paris é Paris, família é família; nunca mais façam isso, tá?”
Passado o sabão, Versolato concordou em falar por dez minutos. Falou por meia hora. Posou, sorridente, com a sobrinha Yasmine e concedeu uma rica entrevista.
Reportagem: Orlando Margarido e Kathia Iamanaha.
MUNICÍPIOS BRASILEIROS
No Estado de São Paulo, hoje é o aniversário de Fartura (31-3-1891) e Borá (31-3-1965).
Em Minas Gerais: Inimutaba, Iraí de Minas e Mathias Lobato.
Pelo Brasil: Encantado e Mato Castelhano (RS), Fonte Boa e Rio Preto da Eva (AM), Ipuaçu (SC), Iracema (CE), Manoel Emídio (PI), Peri Mirim (MA), Riachuelo (SE), São José do Bonfim (PB) e Sooretama (ES).
HOJE
Dia da Saúde e Nutrição
São Benjamim
31 de março

Diácono. Viveu no século V. Pregava a verdadeira religião entre os adoradores do fogo que dominavam a Pérsia.
Imagem: Arquidiocese de Manaus (AM)
Arte: Paulo César Nunes
PENSAMENTO DO DIA
“A Semana Santa reúne os dias mais importantes da nossa fé e um momento para conversão do coração”.
Frei Sebastião Benito Quaglio, presidente da Rede Milícia da Imaculada.
Sede nacional no Distrito de Riacho Grande
São Bernardo.
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