Viral Titulo Conhece algum?

1º de abril: especialistas explicam como funciona a mente de um mitomaníaco

Psiquiatra e psicólogo revelam como a mentira é construída no cérebro e quando se torna um problema

01/04/2026 | 07:04
Compartilhar notícia
FOTO: Freepik
FOTO: Freepik Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


No Dia da Mentira, celebrado em 1º de abril, o hábito de inventar histórias costuma ser tratado como brincadeira. Mas, do ponto de vista científico, mentir envolve processos complexos do cérebro e, quando frequente, pode indicar um padrão comportamental mais profundo, conhecido como mitomania.

A compulsão, conhecida como mentira patológica, é caracterizada por um padrão frequente e sistemático de distorção da realidade, que vai além de mentiras ocasionais. Nesse caso, o comportamento deixa de ser pontual e passa a fazer parte da forma como a pessoa se relaciona com os outros e com o próprio ambiente.

Do ponto de vista da psicologia, no entanto, o termo não é considerado um diagnóstico isolado. “A mitomania não é um quadro descrito em manuais diagnósticos, se apresenta como sintoma associado muitas vezes a transtornos de personalidade. Se diferencia da mentira comum na sistematização do comportamento, quando se apresenta de forma compulsiva e não somente pontual”, explica o psicólogo Leonardo Bourroul, especialista em clínica analítico-comportamental.

De acordo com o psiquiatra Danilo Baltieri do Centro Universitário FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), mentir exige mais do cerébro do que dizer a verdade. Isso porque é preciso criar uma narrativa, manter coerência interna e externa e, ao mesmo tempo, monitorar o comportamento e a reação do interlocutor.

“Mentir demanda maior esforço cognitivo, pois a pessoa deve garantir consistência interna (evitar contradições) e consistência externa (não contradizer o que os outros já reconhecem como verdade)”, explica.

Segundo o especialista, esse processo envolve diferentes mecanismos simultâneos. “São apresentadas seis maneiras específicas pelas quais o ônus cognitivo da desonestidade é maior do que o da honestidade: criação da mentira; supervisão e gestão dos próprios comportamentos não verbais; observação das respostas do alvo; representação da postura mais astuta; ocultação da verdade e crença na própria falsidade; ativação intencional da mentira.”

Baltieri explica que as mentiras improvisadas tendem a ser ainda mais exigentes para o cérebro, pois são elaboradas em tempo real. Com a repetição, no entanto, esse esforço pode diminuir, tornando o comportamento mais automatizado.

Além disso, a construção da farsa envolve uma combinação entre imaginação e memória. A chamada “arquitetura da mentira” começa com a criação de uma história e depende da memória para manter a coerência ao longo do tempo. “A imaginação gera o conteúdo falso, ao passo que a memória garante sua conservação e credibilidade ao longo dos anos.”

AREAS AFETADAS

Há um desequilíbrio entre regiões responsáveis pelo controle e pela recompensa. "Este comportamento surge, do ponto de vista neurobiológico, a partir de disfunções em redes neurais essenciais para o controle executivo, regulação emocional e processamento de recompensas. O córtex pré-frontal, especialmente as áreas ventromedial e dorsolateral, é fundamental para a inibição de respostas inadequadas e para a avaliação das consequências a longo prazo das ações", diz

Leonardo Bourroul aponta que o principal critério de diferenciação está na repetição e na intensidade das mentiras. Segundo ele, não há um perfil único para esse tipo de comportamento, e os fatores emocionais variam de caso para caso. 

A LONGO PRAZO

Com o tempo, os impactos tendem a aparecer, principalmente nas relações interpessoais. Os prejuízos podem atingir ambientes familiares, profissionais e sociais, comprometendo vínculos e confiança. Diante desses sinais, a orientação é buscar ajuda especializada assim que o comportamento começar a gerar prejuízos no convívio diário.


“O acompanhamento psicológico deve ser iniciado o quanto antes, a partir da identificação de impactos nas relações. O tratamento vai depender do contexto de cada paciente”, explica Bourroul.


Segundo o psicólogo, o processo terapêutico envolve a identificação dos fatores que mantêm o comportamento e a definição de prioridades para intervenção. Com acompanhamento, é possível reduzir a frequência das mentiras e melhorar a regulação comportamental.

LEIA MAIS:

Paixão de Cristo/Páscoa: SPMar prevê receber 842 mil veículos no Rodoanel




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;