Setecidades Titulo Quinta-feira Santa

Se não demostra amor nas periferias, não é capaz de servir, declara bispo

Dom Pedro Carlos Cipollini destacou a fé associada ao cuidado com o próximo na Missa do Lava-pés

02/04/2026 | 23:58
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FOTO: Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A Missa da Ceia do Senhor, celebrada na noite de Quinta-feira Santa (2), na Catedral Nossa Senhora do Carmo, no município andreense, foi marcada pelo tradicional rito do lava-pés. A celebração foi ministrada pelo bispo da Diocese de Santo André, Dom Pedro Carlos Cipollini, que destacou a importância da fé associada a atitudes reais de cuidado com o próximo.

Durante o ritual, o bispo ressaltou que a vivência cristã vai além de práticas religiosas.“Pode passar a vida inteira na igreja rezando e realizando atos de louvor a Deus, mas, se não tem atitudes que demonstram amor pelos pobres, pelos fracos, pelos necessitados, pelas pessoas solitárias, pelos idosos, amor nas periferias geográficas, mas também existenciais, você não é capaz de servir, não ama como Cristo ensinou”, afirmou.

O religioso também fez uma crítica ao atual modelo econômico do mundo. “Hoje gira tudo em torno dos interesses, da competição, do dinheiro, que gera tanta corrupção e infelicidade”, disse. 

Segundo Dom Pedro, essa lógica acaba enfraquecendo a solidariedade e dificulta a prática de um amor verdadeiro ao próximo, especialmente com os mais vulneráveis.

O rito do lava-pés, que simboliza humildade e serviço, emocionou os fiéis. A cada ano, são escolhidos diferentes agentes das pastorais da catedral para participar do ritual. Entre eles estava a enfermeira Thaís Talarico, 46 anos, moradora de Santo André, que destacou o significado do gesto. “É o maior exemplo de humildade que a gente pode ter. O bispo refaz o que Jesus fez, e isso mostra o quanto precisamos melhorar e amar como Ele nos ensinou”, relatou. 

Ela também associou a Páscoa a um momento de transformação pessoal. “Foi esta data que me trouxe de volta para a igreja, como o filho pródigo que retorna.”

O aposentado João Faxini, 66, também do município andreense, descreveu a experiência como marcante. “É um momento muito emocionante. Ver o bispo se ajoelhar e lavando nossos pés toca profundamente. Sinto uma paz interior muito grande e uma fé imensa”, afirmou.

TRADIÇÃO

Após a missa, a liturgia seguiu com a transladação do Santíssimo Sacramento. A Eucaristia consagrada foi levada em procissão até o altar de reposição, onde permaneceu para adoração dos fiéis. 

O gesto recorda a saída de Jesus após a Última Ceia, em direção ao Horto das Oliveiras. A comunidade foi convidada a permanecer em vigília e oração.

A partir desse momento, a Igreja entra em um período de recolhimento que atravessa a Sexta-feira Santa (3), marcada pela Ação Litúrgica da Paixão do Senhor, sem celebração da Eucaristia. 

O silêncio continua no Sábado Santo (4), até a realização da Vigília Pascal, considerada a celebração mais importante do calendário litúrgico, que encerra o Tríduo Pascal.

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