Setecidades Titulo Relatório 2025 do Sinisa

Consumo de água na região supera recomendação da OMS e chega a 177 litros

Índice reflete média diária por habitante e é influenciado por falta de uso consciente e atividade industrial no Grande ABC, destaca especialista

04/04/2026 | 08:02
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FOTO: Arquivo/DGABC
FOTO: Arquivo/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Em média, o Grande ABC utiliza 177 litros de água por habitante ao dia. Os dados são do relatório 2025 do Sinisa (Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico), vinculado ao Ministério das Cidades. Com esse volume per capita, a região consome 67 litros a mais que os 110 recomendados pela OMS (Organização Mundial da Saúde). O estudo foi atualizado em dezembro do ano passado e tem como referência o período de 2024.

Na região, São Caetano lidera o consumo com 241,1 litros por habitante ao dia. São Bernardo e Santo André aparecem na sequência com 192,4 e 186, respectivamente. Completam a lista os municípios de Mauá (176,1), Diadema (157,5), Ribeirão Pires (146,8) e Rio Grande da Serra (138,6).

Os principais fatores para o alto consumo são a forte presença industrial no Grande ABC aliada à falta de uso consciente nas residências, conforme explicou o professor de recursos hídricos da Unesp (Universidade Estadual Paulista), Jefferson Nascimento de Oliveira.

Segundo o docente, todos os tipos de uso da água são compilados na conta. “Esse consumo per capita é tudo que se consome na região, seja doméstico, industrial ou público. Vazamentos na tubulação e perdas de água (na distribuição) são contabilizados nesses 177 litros por dia”, explicou o professor. As sete cidades registram, em média, 26,4% de perdas na distribuição.

Apesar da forte presença industrial na região, muitas empresas já possuem sistemas de reúso de água, e isso pode ajudar na redução desse índice no futuro, conforme afirmou Oliveira. “Na indústria, a água representa um custo, então as empresas têm que evitar desperdício, diminuir perdas e principalmente fazer um uso racional”, comentou.

A Braskem é uma das empresas que faz esse tipo de reúso no Grande ABC. Segundo dados da companhia, o projeto Aquapolo consegue produzir 1.000 litros de água por segundo.

Para a bióloga e professora da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Marta Marcondes, o consumo longe do recomendado representa percepção de abundância. “O uso intenso de água pela população se dá pela falsa ideia de que temos uma riqueza enorme desse bem, mas infelizmente as pessoas não se dão conta de que, para evitar a falta de água em nossas torneiras, é necessário proteger as áreas de mananciais, que é a riqueza maior da nossa região”, disse. 

Na comparação nacional, o Estado de São Paulo é o terceiro que mais consome o recurso em todo o País, com 204,8 litros por habitante ao dia, atrás do Amapá (220,7) e Acre (217,2). Já o Brasil tem uma média de 180 litros, segundo dados do Sinisa.

OUTROS INDICADORES

Apesar da OMS possuir um parâmetro para o consumo diário, o Ministério das Cidades informou que o Manual de Saneamento da Fundação Nacional de Saúde utiliza faixas típicas de consumo entre 100 e 200 litros por habitante por dia, o que varia conforme o porte populacional e as características locais. 

“De forma geral, recomendam-se valores entre 80 e 120 (litros por habitante ao dia) para pequenas comunidades, 120 a 180 (litros por habitante ao dia) para cidades médias e até 200 (litros por habitante ao dia) para grandes centros urbanos. Nesse contexto, observa-se que o consumo médio nacional está dentro dos parâmetros de projeto, porém em patamar elevado”, comunicou.

Ainda segundo a Pasta, a redução do consumo de água requer medidas integradas, que envolvem aspectos comportamentais, estruturais e regulatórios. 

A especialista Marta Marcondes destacou que mudanças simples no dia a dia fazem diferença. “Tomar banhos curtos, consertar vazamentos, reutilizar a água da máquina de lavar, evitar lavar calçadas com mangueira, varrer em vez de usar água e manter a torneira fechada ao escovar os dentes ou ensaboar a louça são medidas eficazes”, afirmou.

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