Em livro O norte-americano Eric Topol aposta na convergência entre a ciência e bons hábitos para prolongar o período de vida saudável
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Envelhecer com saúde deixou de ser apenas um ‘golpe de sorte’ genético para se tornar uma fronteira científica em plena expansão. Enquanto o mercado da longevidade é frequentemente inundado por promessas sem fundamento, Eric Topol, cardiologista norte-americano e um dos pesquisadores mais influentes do mundo, traz um choque de realidade e otimismo em sua nova obra, Super Agers: o Segredo da Longevidade Saudável (Artmed, preço sugerido R$ 98), que acaba de chegar ao Brasil.
Para Topol, indicado pela revista Time como uma das 100 pessoas mais influentes na saúde em 2024, há uma distinção fundamental que o público precisa compreender. “Todos estão falando sobre longevidade, mas muita coisa é pura ficção”, alerta o autor. Ele separa o desejo fantasioso de interromper o envelhecimento biológico da capacidade real da medicina moderna de estender o healthspan – o período de vida livre de doenças crônicas.
DOIS CAMINHOS
No livro, Topol ilustra essa nova era por meio de dois perfis de pacientes. De um lado, a L.R., 98 anos, uma “super idosa” nata que dirige, pinta e mantém uma vida social vibrante, desafiando um histórico familiar de mortes precoces. Sua vitalidade é o que a ciência chama de resiliência atípica.
Do outro, R.P., também 98, que representa a “vitória da tecnologia”. Ele sobreviveu a doenças cardíacas graves e até a uma pneumonia causada por Covid-19 graças a tratamentos agressivos. “Os médicos não podem prometer reverter o envelhecimento, mas podemos prometer que a segunda metade de nossas vidas pode ser muito mais saudável do que a de nossos antepassados”, afirma Topol.
O estudo apresenta elementos que sintetizam a longevidade em cinco dimensões que prometem transformar o envelhecimento em uma jornada personalizada. Esse processo começa com a evolução do estilo de vida, que vai além de dieta e exercícios para incluir o combate à solidão e à poluição, fundamentado em uma “dieta de precisão”.
No campo laboratorial, a criação de células e organoides – miniórgãos que permitem testar tratamentos antes da aplicação em pacientes – ganha destaque, somando-se ao avanço das ‘ômicas’, que utilizam dados profundos de DNA e microbioma para viabilizar biópsias líquidas capazes de detectar o câncer precocemente. Essa revolução é impulsionada pela IA (Inteligência Artificial), que passa a atuar como treinadora virtual ao integrar dados ambientais e registros médicos, e pela chegada de novos medicamentos, que protegem rins e coração, além do uso de tecnologias inteligentes para a descoberta de novas proteínas.
CONTRA A FICÇÃO
Embora otimista com o uso de IA e dados biológicos, Topol é cético em relação a intervenções extremas sem evidências. Para ele, o segredo não está em “pílulas mágicas”, mas na convergência entre o que a ciência já comprovou – como o impacto do exercício físico – e o monitoramento contínuo proporcionado pela tecnologia digital.
Focado em análises técnicas e relatos humanos, Super Agers funciona como um guia para quem busca entender como a medicina está redefinindo o potencial humano. O livro mostra que, embora a genética ainda jogue os dados, a ciência moderna está aprendendo, pela primeira vez, a influenciar o resultado da partida.
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